14 maio

Evento debate a implantação de ciclovias na cidade de São Paulo

Aconteceu ontem no Campus São Paulo a mesa-redonda “Mobilidade Urbana: Ciclovias em debate”. O Centro Universitário da FEI recebeu quatro convidados, liderados pelo Professor Dr. Jacques Demajorovic, para falar sobre os diversos aspectos que envolvem e impactam a construção de ciclovias na cidade de São Paulo.

O primeiro a falar foi o Superintendente de Planejamento da CET, Ronaldo Tonobohn, que apresentou os números que envolvem as ciclovias paulistas como os quilômetros recém construídos, as vagas para bicicletas nos terminais de ônibus, ciclo passarelase o orçamento real de todo o projeto. Segundo Ronaldo, o conceito principal para a implantação das ciclovias é a sustentabilidade, tendo como princípio a segurança do ciclista.

Os quatro convidados à esquerda e o mediador do debate, Prof. Dr. Jacques Demajorovic, à direita.

Os quatro convidados à esquerda e o mediador do debate, Prof. Dr. Jacques Demajorovic, à direita.

O Superintendente da CET ainda falou um pouco sobre o projeto “Bike Sampa”, parceria do banco Itaú com a prefeitura, que espalha bicicletas compartilhadas pela cidade. A Gerente de Relações Governamentais e Institucionais do Banco Itaú, Simone Gallo Azevedo, não pôde comparecer para apresentar o programa.

Professora do Departamento de Patologia da Universidade de São Paulo, Thais Mauad falou sobre a saúde e o impacto da poluição das grandes cidades aos ciclistas.

O debate teve ainda a participação do jornalista do Estadão, José Roberto de Toledo, que falou sobre as e-bikes, as bicicletas elétricas que têm o motor acionado pela força do pedal. A bicicleta é uma alternativa para quem mora perto de ladeiras, uma vez que nivela o terreno como se o ciclista estivesse pedalando em um terreno plano, sem exigir um desgaste físico maior da pessoa.

Para fechar as apresentações, o arquiteto e urbanista Ricardo Correa, falou sobre a importância da educação no trânsito e da formação do condutor de bicicletas como base para tornar São Paulo uma cidade ciclável. Para Ricardo, o entendimento de todos em relação ao seu papel no trânsito, seja como motorista, ciclista ou pedestre, caminha junto às obras de infraestrutura e é um dos muitos recursos que podem garantir a segurança do ciclista.

Para finalizar o debate, os convidados responderam algumas perguntas da palestra e falaram sobre a utilização das ciclovias por cadeirantes, fiscalização para os usuários das ciclovias e multas para ciclistas e continuidade do projeto de ciclovias após troca de gestão.

Muitas pessoas vieram  de bicicleta assistir à palestra.

Muitas pessoas vieram de bicicleta assistir à palestra.

05 set

Tradição e modernidade em duas rodas

Esboços encontrados em 1966 indicam que Leonardo da Vinci pode ser um dos criadores da bicicleta. Segundo dados da International Cycling Fund, o protótipo atribuído ao italiano é da década de 1490 e um dos mais antigos projetos sobre o qual se têm notícias. O modelo apresenta duas importantes características: os sistemas de tração e de direção com guidão. Com um primitivo sistema de transmissão com pedais, coroa e pinhão ligados por meio de uma cinta de couro perfurada, a bicicleta de Leonardo da Vinci é um dos modelos recriados pelo professor Ricardo Bock, do Departamento de Engenharia Mecânica, expostos na Semana Cultural da Velocidade (Velocult), entre os dias 9 e 29 de março no Conjunto Nacional, em São Paulo.

Com tradição e experiência na criação e exposição de veículos com quatro rodas, o Centro Universitário FEI expandiu sua excelência para o desenvolvimento de modelos com duas rodas com a confecção de quatro protótipos de bicicletas, sendo duas réplicas de projetos antigos e dois modelos futuristas. “O interesse em desenvolver projetos de duas rodas surgiu há mais de um ano, pela possibilidade de participar de eventos do segmento”, explica o professor Ricardo Bock. Além da bicicleta de Leonardo da Vinci, o docente recriou o modelo proposto pelo francês Conde Mede de Sivrac, em 1790, ambos considerados arrojados para os períodos em que foram executados.

Construída em madeira, a bicicleta de Leonardo da Vinci apresenta mais recursos do que o modelo do Conde Mede de Sivrac, criado 300 anos mais tarde. “O projeto de autoria do francês também é feito em madeira e se assemelha mais às bicicletas comuns, entretanto, é mais rudimentar que o de Leonardo da Vinci, pois não possui pedais nem dispositivo para a mudança de direção”, explica o docente. O modelo é conhecido como Celerífero e tem como inspiração o cavalo. Os dois projetos foram desenvolvidos e executados pelo professor da FEI, que consultou especialistas em bicicletas para realizá-los, uma vez que sua área de atuação é a de veículos de quatro rodas.

Já as bicicletas com design futurista foram construídas com diferentes materiais. O modelo FB1 foi concebido em alumínio, cromo-mobilidênio e fibra de vidro. O FB2 foi feito de uma mistura de alumínio, fibra de carbono e fibra de vidro e possui inspiração nos anéis de fada, circunferências de origem desconhecida identificadas em plantações. A tecnologia empregada para confecção dos modelos é nacional e, dentre os recursos utilizados, destaca-se a tinta usada para a pintura das bicicletas, de alto valor comercial. A bicicleta FB1, de cor verde, por exemplo, recebeu 18 camadas de tinta para adquirir o efeito desejado.

Para executar o projeto das duas bicicletas, o professor Ricardo Bock recebeu o apoio dos estudantes Felipe Ramos Caiado (formado em 2013) e Haroldo Vinícius Ferrari (formado em 2015). Os alunos interessaram-se em participar do projeto por causa do desenvolvimento acadêmico proporcionado pela iniciativa, além da utilização de software de criação e da construção de peças usinadas e laminadas. “Gostei de ter acompanhado a parte de criação, com o desenvolvimento do sistema de transmissão”, afirma Haroldo.

Complemento

Um uniforme para ciclistas foi confeccionado especialmente para a Velocult pelo Departamento de Engenharia Têxtil da FEI e emprega tecnologias que promovem a melhora do desempenho dos atletas. A peça possui poucas costuras, a fim de reduzir a resistência do ar e promover ganhos de velocidade. Nas áreas do corpo de maior transpiração que têm contato com o tecido foi utilizada poliamida, caracterizada pelo bom transporte de umidade e que também recebeu pequenos orifícios a laser. Na região em que se concentra o atrito do corpo do ciclista foi utilizado forro em formato ergonômico em tecido de elasticidade e efeito bactericida, além de duas camadas de espuma com diferentes densidades, para melhor absorção de impacto.

Bike

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Matéria publicada na revista Domínio FEI – Nº19 (pág 14)

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