Trezentos anos depois… Reviewed by Momizat on . 1717. O Conde de Assumar, Dom Pedro de Almeida e Portugal, estava para chegar à Província de São Paulo. Como de praxe, os contatos administrativos e políticos n 1717. O Conde de Assumar, Dom Pedro de Almeida e Portugal, estava para chegar à Província de São Paulo. Como de praxe, os contatos administrativos e políticos n Rating: 0

Trezentos anos depois…

1717.

O Conde de Assumar, Dom Pedro de Almeida e Portugal, estava para chegar à Província de São Paulo. Como de praxe, os contatos administrativos e políticos nas cortes, deveriam ser seguidos com uma sucessão de verdadeiras orgias gastronômicas quando o serviço dos pratos deveria ser regado com vinho selecionado, entremeado de músicas de menestréis e apresentação de poetas.

O Conde deveria levar uma boa impressão de São Paulo.

Por isso, era preciso pensar em prover as exigências de um bom cardápio com a sequência das verduras e legumes, dos diversos tipos de carne, das frutas e doces da região. Para a carne vermelha, as fazendas ofereciam boas alternativas. E o peixe? Por que não apresentar algo diferente vindo do Rio Paraíba em vez do que habitualmente era servido o que era do mar? Assim três modestos pescadores, em suas canoas partiram rio acima para atender o pedido dos organizadores.

No entanto, naquele dia, nada estava dando certo.

Ao recolherem a rede, nada de peixe. Somente restos esparsos do que os rios têm depositados no seu leito ou é carregado pela correnteza.

Em uma das vezes, algo chamou a atenção. Primeiro, veio a imagem de uma santa. Estava quebrada! Em seguida, a cabeça. Muito estranho! Provavelmente, uma pessoa de uma aldeia ribeirinha distante, para não profanar a imagem danificada, preferiu que o rio se encarregasse de ficar com ela.

Aí começa a história que até poderia ser de pescador…

Os peixes começaram a apareceram em abundância. O almoço do Conde de Assumar estava garantido!

O pescador agradecido levou a imagem que restaurada ganhou um oratório diante do qual as pessoas vinham rezar. A imagem envelhecida e rústica, pescada no Rio Paraíba, cuidada com carinho pelos pescadores, ganhou uma capelinha, depois uma igreja e hoje transformou-se em um majestoso Santuário Nacional.

Já não são meia dúzia de humildes pescadores que acendem as velas. São milhares de peregrinos e devotos que acorrem de todo o país para agradecer não o sucesso de uma pescaria, mas graças que receberam de Deus pela mediação materna de Nossa Senhora. São manifestações espontâneas motivadas pelo reconhecimento de que houve a presença materna daquela a quem Jesus confiou a guarda dos que são amados por ele.

Providencialmente situada no coração do Brasil, é o ponto de convergência dos desejos de todos os que lhe dirigem o olhar, estendem as mãos em busca de paz, de saúde, de mais de felicidade e de esperanças.

Trezentos anos se passaram e a festa continua, mas não mais a do Conde de Assumar. É a festa da vida na qual não pode faltar o vinho.

Nossa Senhora está presente, faz-se aparecer, com o jeito materno de recomendar a cada um:

“Fazei tudo o que Jesus vos disser…”

Pe. Paulo de Arruda D´Elboux SJ / pdelboux@fei.edu.br

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