Mortes mais rápidas Reviewed by Momizat on . A velocidade impõe ao veículo maior quantidade de energia associada ao movimento. Quanto mais forte se desacelere maior é a quantidade de energia a se dissipar A velocidade impõe ao veículo maior quantidade de energia associada ao movimento. Quanto mais forte se desacelere maior é a quantidade de energia a se dissipar Rating: 0

Mortes mais rápidas

iStock_000017403062SmallA velocidade impõe ao veículo maior quantidade de energia associada ao movimento. Quanto mais forte se desacelere maior é a quantidade de energia a se dissipar em cada segundo. Em caso de colisão a alta velocidade, enquanto o veículo para em fração de segundo, a estrutura veicular não consegue absorver a energia a ser dissipada, transferindo-a para os ocupantes.

Para entender a gravidade crescente com a velocidade, basta a Teoria das 3 Colisões. Na primeira, veículo contra obstáculo, quando a proposital menor rigidez do cofre do motor tem capacidade de dissipar praticamente toda a energia, a até determinada velocidade. A energia excedente gera a segunda colisão: ocupantes contra o veículo.

Em colisões a 60 km/h os cintos de segurança, auxiliados por air bags tendem a gerar ocupantes felizes por poder repercutir lesões subcutâneas, o popular sangue pisado. Finalmente, o resíduo de energia vai gerar o ambiente da terceira colisão: cérebro contra a caixa craniana. O impacto do cérebro no frontal gera ricochete na direção do occipital. Se intenso, a concussão se torna contusão, quando o sangramento indica o risco do óbito próximo.

Agora, ao se analisar o tráfego urbano contemporâneo, veículos cruzando trajetórias de motocicletas e dos que estão no topo da fragilidade da mobilidade, pedestres e ciclistas, agrava-se consideravelmente o problema de saúde pública.

À medida que o índice motorização urbana aumenta, as velocidades maiores geram sensação de chegar mais rápido. Contudo, o que se vê são veículos que chegam mais rápido no próximo congestionamento e não em casa, sujeitos a riscos maiores e considerável estresse.

A solução é a redução das velocidades máximas nas vias urbanas. Tem sido aplicado com eficácia em várias cidades com resultados positivos. Em metrópoles onde o transporte público de massa é incipiente, entenda-se metrô em suficiente extensão, como em São Paulo, a óbvia irascibilidade do motorista que tem que sofrer na direção e reduzir ainda mais a velocidade exige implantação com campanhas explanatórias e evolução com acompanhamento da opinião pública como balizador, em paralelo à efetiva melhoria do transporte público.

A elevação da velocidade das velocidades na cidade de São Paulo não é ideal. Porém, pode ser subentendida como o resgate da opinião pública, a busca da compreensão do cidadão, às futuras novas campanhas de redução. Aí sim, duradouras a definitivas. Ou então, estatísticas de rápida evolução da taxa de mortalidade.

Creso de Franco Peixoto é professor do curso de Engenharia Civil do Centro Universitário da FEI, engenheiro Civil e mestre em Transportes

Creso de Franco Peixoto é professor do curso de Engenharia Civil  da FEI e mestre em Transportes.

 

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