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Especialistas esperam engajamento com causas sociais

O último painel do Congresso de Inovação 2017, buscou usar a presença de especialistas da indústria para traçar o perfil do profissional de sucesso do futuro. Intitulado “2050 e a qualidade vida. Quais os grandes desafios aos profissionais do futuro?”, o debate foi mediado por Silvio Matos, presidente da Agência Idealista e Conselheiro da FEI, e contou com opiniões importantes para dar uma conclusão aos temas propostos e discutidos durante os três dias do evento.

Considerando temas como automação, inteligência artificial e a busca por qualidade de vida, os palestrantes definiram como fundamental o engajamento do profissional com causas abrangentes para a comunidade, maiores que interesses próprios ou somente do local de trabalho.

Citando algumas medidas de sustentabilidade implementadas décadas atrás – “antes de entrar na moda” -, Alida Bellandi, presidente da Guarany, foi uma das defensoras de que o profissional do futuro deve ser um humano engajado. “Precisamos pensar em projetos empresariais para todos. Buscar causas que possam unir não só as gerações, mas também a comunidade”, afirmou.

Um dos projetos citados por Alida é o Arboreto, uma iniciativa com foco em criar um bosque com árvores nativas em risco de extinção e um banco genético com essas espécies. Para ela, essas medidas ajudam a traçar um perfil e moldar conceitos. “Essas iniciativas vão criando um DNA da empresa e os problemas são universais que precisam ser tratados de forma coletiva”, completou.

A opinião é compartilhada por Mauro Kern, vice-presidente executivo de Operações da Embraer, que acredita no fortalecimento da diversidade dentro do ambiente de trabalho. “É muito difícil prever como o mundo será em 2050, mas ele será como a gente quiser que seja. Se fortalecemos a diversidade, fortalecemos a empresa. Temos que pensar integrados como uma comunidade. Tudo o que a gente produz, se produz para alguém”, disse.

Bem-estar

Mais do que somente a produtividade e automação, há um interesse geral de que o desenvolvimento de novas tecnologias também traga mais qualidade de vida para todos. “Quem sabe a gente não seja ‘obrigado’ a trabalhar menos e curtir a vida”, brincou Kern. O executivo, que prevê cada vez mais a automação de tarefas manuais e repetitivas nas fábricas trará benefícios tanto para o bem-estar quanto para o desenvolvimento intelectual da empresa e do indivíduo. “Há 20 anos, o contingente da produção era maior que na engenharia. Hoje isso inverteu. Eliminamos atividades repetitivas que trazem pouca contribuição intelectual”, disse.

Questionado por um participante sobre o futuro da Embraer envolvia automação em mais estágios da produção de aeronaves, respondeu com um enfático “absolutamente que sim”. “Temos muita automação na fase inicial, mas pouca no final porque ainda não temos a tecnologia definida, mas isso vai naturalmente acontecer”, afirmou. “As pessoas que faziam essas tarefas em breve vão operar as máquinas, e depois vão criar os algoritmos. O nível de intelecto cresce ao longo do processo e vamos usar tudo o que for possível dentro da tecnologia para transformar”, concluiu.

A Presidente da Guarany também lembrou de alguns benefícios de se trabalhar de forma descentralizada, como é o caso da sede de sua empresa, em Itu, no interior de São Paulo. “Podemos fazer coisas como chegar no trabalho em 10 minutos, caminhar até sua empresa, almoçar em casa e quem sabe até tomar um vinho no fim do dia”, afirmou.

Ética no uso de dados

Patricia Ellen, Sócia da McKinsey & Company, mostrou muitos dados e promoveu grande interação com estudantes e corpo docente. A consultora levantou um importante ponto dentro da captação e uso de dados, como vemos frequentemente no universo do Big Data.

Ela destacou a importância de se ter responsabilidade e ética na coleta de informações, principalmente no campo da saúde. “A tecnologia veio para ajudar, mas se a gente não resgatar nossa humanidade, isso pode se transformar em uma coisa ruim”, afirmou, enaltecendo a necessidade de discussões para o desenvolvimento e o uso correto de dados em Big Data. “Matemáticos e engenheiros terão um papel fundamental nos próximos anos”, disse, apontando não só pela técnica, mas principalmente na manipulação correta desses números. “Essa é uma discussão muito importante e temos um risco de ir por um caminho muito perigoso em função da polarização que vivemos não só no Brasil, mas no mundo”, concluiu.

Fonte: Estadão

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