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Campanha da Fraternidade 2017 – Biomas Brasileiros

FraternidadeA consciência da necessidade de um cuidado maior com a Terra, nossa casa comum, tornou-se tema de discussão e debates inclusive de reflexão teológica e de práticas religiosas comunitárias.

A Igreja, em sua história milenar, sempre teve os olhos voltados para os problemas que afetavam a sua missão evangelizadora. Foi um processo dinâmico.

Para as primeiras comunidades era necessário transpor os limites do mundo israelita e abrir-se para todos os que se sentiam atraídos pela mensagem do Evangelho.

Naturalmente deveria ter um rosto que a identificasse como a organização que Jesus tinha configurado quando confiou a Pedro a tarefa de edificar a sua Igreja.

Foram tempos difíceis marcados por perseguições no confronto com o paganismo. Crescia e expandia-se pelo testemunho dos mártires!

A expansão, por sua vez, trazia o risco da dispersão pela diversidade de interpretações doutrinárias ameaçando a unidade pretendida por Jesus.

Grandes bispos teólogos e os assim chamados de Padres da Igreja aprofundaram os estudos da Sagrada Escritura e as reflexões sobre a doutrina e as verdades da fé.

Foi um longo período de debates e concílios sobre a própria pessoa de Jesus e sua humanidade, a revelação divina de sua mensagem. Estabeleceu-se o corpo da doutrina com a Profissão de Fé.

Enquanto isso, surgiram diversas maneiras de viver a mensagem do Evangelho. Surgiram as formas radicais como a dos anacoretas e as comunidades monásticas caracterizadas pelo afastamento do mundo, uma vida de oração e penitência, a preocupação com os pobres, os doentes e órfãos.

Como instituição, a Igreja é levada paulatinamente a se estruturar reproduzindo o modelo social que vigorava entre os países em formação.

Com o desenvolvimento da navegação, assume o papel de monitorar os reinados cristãos em seus empreendimentos de expansão de mercado e a exploração de novos mundos.

As caravelas povoam os mares. As cruzadas medievais são revividas nas expedições colonizadoras em nome da fé e do império, quando  as caravelas levam também os missionários.

A missão espiritual do Papa mistura-se com o exercício do poder temporal. Exerce o papel de tutela através das formalidades clericais do direito canônico, dos dogmas doutrinários contestados pelos cismas e o crescimento de outros interesses como a libertação do vínculo político.

O problema social criado pela industrialização, a tensão entre o capital e o trabalho alimentada pelos confrontos ideológicos, trouxe de volta a Igreja a se posicionar no campo internacional.

A partir de então, tem como foco os problemas sociais e os grandes conflitos mundiais. Leão XIII é o grande protagonista.

A Teologia da Libertação, mais próxima de nós, trouxe uma contribuição nova motivando a Igreja a ter um olhar diferenciado sobre os povos oprimidos pelas grandes potências do mercado internacional.

Nesse contexto, em meados do século passado, os bispos do Brasil inovaram a forma de viver o espírito da quaresmal. As práticas penitenciais passam a ser associadas às obras de caridade.

No início, estavam dirigidas à prática da vida religiosa. Aos poucos deslocou o foco para a situação das pessoas na sociedade consumista com temas sobre a alimentação, o trabalho, a educação.

Mais recentemente, associa-se à preocupação com a ecologia, a água, o aquecimento global, a sustentabilidade da vida e o cuidado do planeta, a nossa casa comum.

Essa temática é retomada neste ano com especial atenção para a conversão pessoal como meio de se ter consciência da responsabilidade de “cultivar e cuidar da criação”.

Uma mentalidade ecológica além do bioma, a procedimentos de preservação da natureza e da vida, inclui a mudança no comportamento pessoal, o combate à corrupção e todas outras formas de violência ao ser humano, sobretudo marginalizado.

Sem essa conversão do coração nenhum projeto tem continuidade, a fraternidade não tem consistência.

Pe. Paulo de Arruda D´Elboux SJ / pdelboux@fei.edu.br

Pe. Paulo de Arruda D´Elboux SJ / pdelboux@fei.edu.br

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