06 nov

Engenharia de Materiais faz sucesso no campus com os Aluminions

No começo de 2015, os professores de Engenharia de Materiais Patrícia Calvão, Jorge Kolososki, Baltus Bonse e João Luís Abel, resolveram colocar em prática, um projeto que tinha por objetivo mostrar aos alunos um dos valores dos materiais de engenharia. O Grupo REC, composto pelos quatro professores, propôs uma atividade que transformasse a visão sobre reciclagem, mostrando que o que muitas vezes é tratado como lixo reciclável, é na realidade um material de engenharia que possui vasta aplicação, principalmente se forem utilizados os conhecimentos desenvolvidos nessa área da Engenharia.

A maneira como os professores encontraram, foi simples: utilizar latas de alumínio, um produto que é automaticamente considerado lixo-reciclável e mostrar, na prática, que o material não morre e que reciclá-lo é fazer com que desempenhe seu papel como material de engenharia da mesma ou sob nova forma. Foi assim que nasceram os Aluminions: pegue uma ideia, acrescente uma boa dose de conhecimento de engenharia e você tem um projeto de grande sucesso entre os alunos, inclusive de outros cursos. A Professora Patrícia Calvão ressalta que o sucesso dos Aluminions foi inesperado: “Achávamos que íamos receber uns cinquenta pedidos, mas ao final do projeto, os alunos de Materiais confeccionaram mais de trezentos Aluminions.

Alunos do 3º e 9º ciclo trabalharam juntos para desenvolver o projeto dos Aluminions.

Alunos do 3º e 9º ciclo trabalharam juntos para desenvolver o projeto dos Aluminions.

O projeto foi pensado e planejado pelos professores e colocado em prática integrando alunos de dois ciclos diferentes do curso de Engenharia de Materiais. O aluno Luis Ferlante, estudante do 10º ciclo, conta como o trabalho foi dividido entre os ciclos: “Os alunos do 3° ciclo tinham acabado de entrar no curso de Engenharia de Materiais e eram responsáveis pela divulgação e coleta de materiais de engenharia, enquanto os alunos do 9° ciclo eram responsáveis pela fundição dos Aluminions e transmissão do conhecimento aos alunos dos ciclos inferiores que vieram colaborar nesse processo. ”.

A Professora Patrícia ministra a disciplina “Introdução à Engenharia de Materiais” e conta que o projeto Aluminions, além de compor a nota dos alunos do terceiro semestre, também despertava o interesse desses alunos para processos e conhecimentos que eles veriam ao longo do curso.

O aluno Luis Ferlante ressalta que o projeto trouxe grande visibilidade para o curso de Engenharia de Materiais: “A maioria das pessoas, incluindo alunos, não sabe o que faz um Engenheiro de Materiais, o que resulta em equívocos no âmbito da carreira profissional. Por isso a importância da divulgação, é uma maneira de mostrar, dentro e fora da FEI, o trabalho do curso de Engenharia de Materiais. Por meio desse projeto, várias pessoas já sabem, por exemplo, que é possível transformar materiais de engenharia já processados (latas de alumínio) em outras coisas, como Aluminions, através de uma técnica estudada no curso Engenharia de Materiais: o processo de fabricação por fundição. ”.

Ao todo foram produzidos mais de 300 Aluminions entregues aos alunos que trouxeram as latinhas de alumínio.

Ao todo foram produzidos mais de 300 Aluminions entregues aos alunos que entregaram latinhas de alumínio.

A mensagem que o projeto dos Aluminions deixa é que quando se joga material fora, se joga também recursos como energia, água e tempo. O Professor Abel, ressalta que a reciclagem vai muito além do que as pessoas imaginam e que o estereótipo lixo-reciclável precisa ser quebrado. “A ideia do Grupo REC é trazer continuamente projetos que integrem alunos de ciclos diferentes e que evidenciem o valor dos materiais de engenharia e da Engenharia de Materiais. ”. Parece que vem novidade por aí!

02 set

Fundamentais para a reciclagem

Apenas uma pequena parcela do lixo produzido no Brasil é seletivamente coletado, sendo a maior parte da reciclagem feita por catadores autônomos que têm uma atividade insalubre, baixa remuneração e nenhuma qualificação profissional, além de ser um grupo marginalizado pela sociedade. No entanto, essas pessoas são fundamentais para a cadeia produtiva da reciclagem em termos econômicos, ambientais e sociais. A cadeia de reciclagem no País pode ser comparada a uma pirâmide: na base está o catador independente, nos degraus acima, as cooperativas, os sucateiros, o reciclador que transforma os resíduos em matéria-prima e, por fim, as empresas que compram o material.

A importância dos catadores autônomos e dos catadores organizados para o funcionamento da cadeia de reciclagem brasileira é o ponto de discussão do livro ‘Cadeia de reciclagem: um olhar para os catadores’, de autoria do professor doutor Jacques Demajorovic, do Programa de Pós-graduação em Administração do Centro Universitário da FEI, e ilustrado com uma série de imagens feitas pela fotógrafa Márcia Lima. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 1 milhão de indivíduos compõem o universo de catadores no Brasil, mas, deste total, só 10% são cooperados, de acordo com o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis. Os demais ficam à mercê dos intermediários, que pagam o valor que julgam melhor pelo material coletado.

“Os catadores são os que coletam a maior parte dos resíduos que entram na cadeia de reciclagem, mas os que recebem a menor parcela do valor gerado nessa cadeia”, revela o docente da FEI. No livro, o autor defende o trabalho nas cooperativas, que ajudam a transformar o catador independente, que não tem como negociar, em um cooperado com melhores condições de trabalho, maior quantidade coletada de resíduos e a possibilidade de vender diretamente para um intermediário ou para as empresas recicladoras, ganhando mais pelo produto comercializado. O docente afirma que, além de gerar renda, as cooperativas contribuem para a inclusão social dessa parcela da população.

Embora a reciclagem no Brasil seja retratada de forma eficiente – o País é recordista na coleta e reciclagem das latinhas de alumínio, com 98% de material reaproveitado –, essa realidade só é possível devido ao quadro de pobreza que permite que um grande contingente de trabalhadores faça o trabalho de coleta por um preço muito baixo. “Em países desenvolvidos, ao contrário do Brasil, é necessário contar com empresas privadas para a coleta de todos os resíduos recicláveis, pois não existem catadores que façam este trabalho em volume significativo”, enfatiza. Para o professor Jacques Demajorovic, o sucesso da reciclagem das latinhas de alumínio também é reflexo do valor que têm no mercado, por ser um material com alto valor agregado e que, para ser produzido, tem custo elevado de energia e geração de resíduos. No livro, o docente cita exemplos que comprovam como as cooperativas são importantes para dar melhores condições de trabalho aos catadores, bem como o papel dessas organizações em termos econômicos, ambientais e sociais.

Responsabilidade compartilhada

A Cooperativa Vira Lata foi inserida no fluxo de logística reversa de três grandes empresas. Em uma delas, a cooperativa é o elo entre a seguradora Porto Seguro, uma grande geradora de sucatas em suas oficinas, e a Gerdau, a maior indústria de siderurgia do País. Neste trabalho, os coletores retiram o material doado pela seguradora, separam e vendem para a siderúrgica. “Desta forma, os catadores conseguem um valor alto pelo produto, a seguradora não corre o risco de ter as peças destinadas ao mercado paralelo, além da certeza de que seus resíduos têm um destino ambientalmente correto, e a Gerdau recebe um material de qualidade”, enumera o docente.

Outra experiência de sucesso é o acordo fechado com a Diageo, maior empresa de bebidas alcoólicas do mundo, para a logística reversa das garrafas vazias. A Cooperativa Vira Lata retira os frascos nos locais indicados pela empresa, tritura em sua sede e vende a matéria-prima para a empresa recicladora que faz as novas garrafas da Diageo. Com isso, ocorre a chamada logística reversa em circuito fechado. “Além de contribuir ambientalmente, esse trabalho garante que as garrafas vazias não sejam utilizadas no mercado de bebidas falsificadas”, acrescenta o professor da FEI.

Essa iniciativa mostrou que, mesmo materiais antes deixados em segundo plano – como o vidro, que é pesado e tem baixo valor econômico –, quando trabalhado em grande quantidade pode ter um preço de venda elevado. Hoje, quase 20% da receita anual da Cooperativa Vira Lata está ligada às duas experiências, sendo 12% das sucatas e 8% do vidro. “Os casos demonstram o papel efetivo dos catadores e porque são importantes na cadeia produtiva da reciclagem. É um trabalho de responsabilidade compartilhada no qual a empresa, a cooperativa, o poder público e os cidadãos podem intervir para viabilizar um sistema mais justo, que gere mais inclusão social, melhor beneficio econômico, ambiental e social”, enfatiza o professor Jacques Demajorovic.

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Matéria publicada na revista Domínio FEI – Nº19 (pág 36)

23 abr

ESTUDANTES DA FEI DESENVOLVEM CARRINHOS ESPECIAIS PARA CATADORES

Com tecnologia e inteligência, alunos trabalham na criação de veículos mais resistentes e funcionais.

A Júnior FEI, empresa de alunos do Centro Universitário em São Bernardo do Campo, tem trabalhado arduamente a fim de desenvolver carrinhos para catadores de recicláveis. O projeto conta com a participação da Sabesp, e visa garantir mais conforto e segurança aos profissionais do setor.

Segundo o estudante de Engenharia Elétrica Filipe Brasizza, uma pesquisa foi realizada com catadores para que o projeto pudesse ser desenvolvido. “Ouvimos os catadores para que eles dissessem o que poderia ser melhorado nos carrinhos”, revela.

Para facilitar o descarregamento de carga, os carrinhos estão sendo desenvolvidos com retrovisores, porta-traseira, buzina, e um compartilhamento que funcionará como porta-luvas. Triciclos também entram na onda da reciclagem com tecnologia, e contam com um compartilhamento que oferece capacidade para transportar até 180 litros de óleo.

De acordo com o assessor de meio ambiente da presidência da Sabesp, Marcelo Morgado a coleta de óleo de cozinha poderá ser realizada porta a porta com os carrinhos. Tal procedimento alimentaria a ideia de sustentabilidade, já que o descarte incorreto do produto pode causar entupimento nos sistemas de esgoto.

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