03 abr

Jovens e donos do próprio negócio

O Brasil é conhecido internacionalmente como um país empreendedor, o quarto colocado no ranking mundial de percentual de empreendedores em relação à sua população. Uma pesquisa de âmbito mundial, realizada em 2012 pela Global Entrepreneurship Monitor, em parceria com o SEBRAE, revelou que a proporção dos brasileiros que desejam ter o próprio negócio (43,5%) é superior a dos que desejam fazer carreira em empresas (24,7%).

Em meio a tantos números estatísticos um fator chamou a atenção na pesquisa. Do número de empreendedores brasileiros, 52,10% possuem a faixa etária entre 18 e 34 anos, dado que representa o interesse e o empenho do jovem brasileiro em se tornar dono do próprio negócio. Para alguns especialistas este interesse pelo empreendedorismo entre os jovens está justamente ligado ao fato de ser uma geração que está crescendo em um ambiente empreendedor, como o Brasil, além de terem, relativamente, mais instrução do que as gerações anteriores.

Segundo o coordenador do Departamento de Administração da FEI campus São Paulo, Prof. Dr. William Sampaio Francini, o mundo atual no qual vivem os jovens contribui para que eles assumam riscos, uma vez que o ambiente macro econômico já há algum tempo é menos imprevisível do que na época da hiperinflação. Ele explica que o próprio governo – nas diversas esferas – tem programas focados no incentivo ao empreendedor, e em muitas escolas, têm a disciplina Empreendedorismo em sua grade curricular, como é o caso do curso de Administração da FEI, onde atividades como a geração de um plano de negócios ou o desenvolvimento de novos modelos de negócios servem para influenciar o jovem a ser mais ousado. “A grande vantagem de já nascerem no mundo high tech amplia e potencializa as perspectivas na direção da economia da informação, e seu uso reforça as novas oportunidades de negócios”, explica o professor.

Sem Medo de Inovar

Ousadia e aprendizado, aliado à capacidade empreendedora, fez com que dois ex-alunos de Administração da FEI criassem a Isto é Brasil Marketing e Comunicação, empresa de marketing, propaganda, eventos e comunicação voltada às questões do País. Formados em 2007, os sócios Maurílio Santos e Leandro Marcel Tomás de Souza tiveram a ideia de criar a empresa ainda durante o curso, quando começaram a participar de associações de empreendedores, como o Comitê de Jovens Empreendedores da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). “Nosso objetivo é desenvolver estratégias de marketing e comunicação voltadas ao povo brasileiro, respeitando as diferenças regionais e as culturas locais”, explica Maurílio Santos.

No começo os sócios explicam que tiveram algumas dificuldades para administrar o próprio negócio, como custos e resultados, especialmente por atuarem com prestação de serviços, o que os obrigou a reaprender conceitos ensinados em sala de aula. “Tivemos que aprender a fazer custo para viabilizar nossas ideias para os clientes, pois estávamos perdendo competitividade ao participar de concorrências”, comentou Maurílio.

Primeiros Passos

Identificar um mercado potencial onde se pretende aplicar a sua ideia é um passo importante, mas tomar a decisão de entrar no negócio pode causar certo receio e demanda tempo, com isso a oportunidade pode se perder. Mas então, como identificar uma área promissora para quem deseja se tornar um jovem empreendedor?

O Prof. William explica que as mídias sociais estão aí e podem ser uma excelente ferramenta para comunicação com o público e que muitas aplicações podem ser desenvolvidas para a análise das mídias sociais. Além disso, o professor reforça que, competências em estratégia, marketing, estatística e tecnologias de informação certamente elevam o potencial para empreendedorismo. “Desejo, foco e sagacidade, isto é, estar atento aos simples indícios do mercado e de novas tecnologias, são a meu ver os direcionadores centrais de um negócio. Correr riscos – calculados – deve ser parte da personalidade, além é claro, de procurar adquirir a experiência necessária para ter condições de tocar o negócio nas fases iniciais, que são as mais difíceis”.

13 mar

Como reter talentos?

A economia aquecida e a busca frenética por profissionais de todas as áreas no Brasil estão causando algumas ‘dores de cabeça’ para empregadores que, ao mesmo tempo, vivem à procura de mão de obra qualificada e têm de criar estratégias para reter os talentos nas organizações. Esse fenômeno de grande competitividade torna-se ainda mais grave devido aos problemas de formação no Brasil, que não prepara mão de obra suficientemente qualificada e em número adequado para atender às necessidades do mercado. Diante disso, gestores de recursos humanos vivenciam o desafio de buscar os talentos e mantê-los nas empresas pelo maior tempo possível, o que não tem sido tarefa fácil.

Um bom exemplo é a falta de engenheiros, de todas as especialidades, em razão do crescimento de 320% na Engenharia Industrial nos últimos cinco anos no Brasil, fato que causou um descompasso entre oferta e demanda. Apesar de o País ter excelentes instituições de ensino de Engenharia, a quantidade de profissionais formada é insuficiente neste momento de economia aquecida. No entanto, a escassez de mão de obra não se limita aos setores tecnológicos. “O problema no Brasil é complexo e tem múltiplas causas. Entre as mais importantes estão debilidades históricas da educação, que não é suficiente para dotar os indivíduos de uma formação de qualidade”, analisa o professor doutor André Mascarenhas, do curso de doutorado em Administração da FEI.

O docente ressalta que essa dificuldade estrutural na formação de mão de obra qualificada acaba fazendo com que o Brasil tenha poucos talentos que, consequentemente, são muito valorizados e disputados. Para tentar reter esses talentos em curto, médio e longo prazos, as empresas precisam ser mais atraentes, oferecer possibilidades de crescimento e se manterem como organizações qualificantes, que agreguem conhecimento contínuo aos empregados. “Além disso, devem ser mais democráticas e pluralistas e estar atentas aos comportamentos, impedindo assédios e problemas que levem os profissionais a não se sentirem bem no ambiente de trabalho”, alerta.

Devido a essa grande procura, o empregado ganhou maior poder de barganha e, quanto mais qualificado for, mais terá essa condição com relação ao mercado de trabalho. “Para reter essa mão de obra qualificada deve haver um alinhamento do poder das organizações e dos empregados, com a construção de uma situação adequada de trabalho que seja recompensadora”, orienta o docente, que acredita no aprofundamento dessa busca por talentos e sugere que as organizações transformem essas dificuldades em oportunidades, criando estratégias múltiplas e multifacetadas e reconhecendo que devem assumir sua responsabilidade de ajudar a transformar a sociedade.

05 mar

Inquietação é a marca da geração Y

O senso de liberdade que acompanha a geração nascida a partir de 1980 – pós-ditadura militar e que não conviveu com os grandes conflitos mundiais – acabou gerando uma ambivalência no perfil desses profissionais, conhecidos como geração Y. Ao mesmo tempo em que é apaixonado e dedicado ao que é importante na vida e busca a felicidade e a realização profissional, esse grupo pode correr o risco de ser considerado ‘egoísta’ em termos de compromisso com a carreira, as organizações e o País.

A geração Y, que não se limita a uma faixa etária e está principalmente nas camadas sociais mais favorecidas, é também a mais difícil de ser retida pelas empresas, pois tem consciência de seu talento e do que espera da carreira. “Se a empresa não corresponde, esses jovens não criam vínculo de lealdade”, resume o professor de graduação do Departamento de Ciências Sociais e Jurídicas do curso de Administração da FEI, Diego Genu Klautau. Para retê-los, as organizações têm de prestar atenção no significado do trabalho e do crescimento, levar a sério as aspirações dos empregados, criar plano de carreira e mantê-los em constante desafio profissional.

Segundo o docente, a principal contribuição dessa geração para a sociedade é a possibilidade de os gestores aprenderem outra forma de lidar com as relações humanas no trabalho, que deve ser construída com base em consenso.

A geração Y foi tema do trabalho de Iniciação Científica e conclusão de curso de Thais Cristina Sartoleto, formanda do curso de Administração da FEI no primeiro semestre 2011, sob orientação do professor Diego Klautau. Com base em entrevistas realizadas com 279 profissionais da Phillips do Brasil, de 21 a 30 anos, a graduanda identificou que o grupo tem em comum o uso da tecnologia e o senso de mundo moderno no qual o trabalho não é a principal finalidade da vida. “O que retém esses talentos são as aspirações sociais. Eles não se enquadram em qualquer padrão de empresa, sabem o que querem e estão à procura de felicidade”, resume.

A geração Y também está mais preocupada com a qualidade de vida, a família e a flexibilidade no trabalho. Por isso, organizações com perfil tecnológico e que oferecem possibilidade de horário flexível ou ‘home office’ têm mais chances de reterem esses talentos. “As empresas devem conhecer melhor seus profissionais e avaliar além dos currículos na hora da contratação”, avalia Thais Sartoleto. Para o professor Diego Klautau, essa inquietação deve ser utilizada como incentivo ao trabalho e é a marca do talento desses profissionais.

02 maio

MERCADO CARECE DE ENGENHEIROS BRASILEIROS

Ausência de engenheiros no Brasil fragiliza o setor de inovação do País, e abre portas para estrangeiros.

Crescimento econômico em média de 5%. Mercado aquecido, e em expansão. Aproximadamente 50% de evasão de estudantes em escolas de engenharia. Escassez de mão-de-obra qualificada. Este é o quadro da Engenharia no Brasil, que possui capacidade para formar 90 mil engenheiros, no entanto, apenas 35 mil concluem a graduação.

Estudo realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostra que, para atender à demanda, o País deveria contratar cerca de 60 mil engenheiros. “Às vésperas da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, faltam engenheiros para tocar as obras”, comenta o Prof.  Raul Rodrigues, mestre em Ciências em Engenharia de Produção. De acordo com o professor, a carência de engenheiros brasileiros abre espaço para profissionais estrangeiros. “Muitas empresas são obrigadas a buscar por profissionais lá fora”, revela.

Dados da Coordenação Geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam que, entre 2008 e 2009, o número de autorizações concedidas a engenheiros estrangeiros saltou 27%, de 2 712 para 3 542. O número de pedidos de registro de estrangeiros triplicou em 2010, segundo o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea). De janeiro a setembro de 2011, o governo concedeu 51 mil autorizações de trabalho para estrangeiros, 32% a mais do que em 2010.

Embora haja vagas no mercado de trabalho e uma melhoria em relação à remuneração, o estímulo para formação de profissionais qualificados ainda não é o suficiente. Especialistas da área informam que é necessário motivar os egressos do nível médio a optarem por cursos de engenharia. Para o prof. Raul, um dos fatores mais graves da escassez de engenheiros brasileiros é a educação. “Organizações internacionais apregoam que pouco mais de 4% dos egressos do curso médio, no Brasil, possuem o conhecimento de matemática que deveriam ter. Que dirá em física!”, comenta.

Alguns profissionais do setor acreditam que a modernização do ensino, tendo como modelo a Europa, pode ser outra saída. Na Europa são três anos de graduação com mais um ano e meio de mestrado técnico. “Em países de ponta, modelos bem-sucedidos são aqueles que investem em infraestrutura, educação e qualificação profissional”, completa o professor.

01 out

Mercado precisa de Engenheiros

Na Alemanha, berço de algumas das maiores indústrias automotivas mundiais e de inúmeras empresas de tecnologia, há uma campanha para desenvolver habilidades matemáticas em crianças ainda no maternal. Essa ação tem como objetivo despertar o interesse por carreiras de Exatas, em especial a Engenharia, e se justifica devido à falta crescente de engenheiros naquele país. Infelizmente, a pouca quantidade de engenheiros não ocorre somente na Europa. Segundo especialistas em recolocação e profissionais do setor, as empresas enfrentam a carência de engenheiros qualificados em vários pontos do mundo, inclusive no Brasil.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontou, por meio de estudo recente, que o Brasil tem seis engenheiros para cada grupo de 100 mil pessoas, enquanto em países como Estados Unidos e Japão, por exemplo, a quantidade de engenheiros é 25 para cada 100 mil habitantes. Para conseguir atender às necessidades do mercado, o Brasil necessita de um número pelo menos quatro vezes maior que o atual, prova de que a área está em expansão, mas que falta mão-de-obra especializada. O professor e secretário geral do Centro Universitário da FEI, Alessandro La Neve, afirma que a perspectiva de crescimento para um país em desenvolvimento como o Brasil é grande.

“Os engenheiros são o sensor de desenvolvimento do País, portanto, precisamos de muito mais” assegura. O professor afirma que a quantidade de profissionais de Engenharia está defasada em relação às necessidades do mercado, por isso, acredita que os jovens devem perceber a lacuna e seguir na direção dessa demanda de vagas promissoras. A profissão requer, hoje, que se ultrapassem os limites geográficos. Um mercado exterior que tem absorvido muitos profissionais brasileiros, por estar em crescimento acelerado, é o do continente africano, em países como Angola e Moçambique.

No Brasil, as indústrias de base normalmente não têm suas plantas nos grandes centros urbanos, o que também incentiva a migração profissional. A diretora de consultoria da Ricardo Xavier Recursos Humanos (ex-Manager), Neli Barboza, informa que um dos diferenciais na hora da escolha de um candidato é ter disponibilidade para viagens constantes e mudanças. “O engenheiro, desde o primeiro emprego, já é responsável por sua carreira. Além de selecionar a empresa em que trabalha, precisa avaliar se daqui a cinco anos ela estará alinhada com aquilo que deseja para sua vida profissional”, adverte.

A formação em Engenharia é privilegiada pelo grande número de empresas que oferecem programas de trainee e de estágio. Entre as características mais valorizadas no perfil do estudante está o comprometimento com os objetivos de carreira, autoconhecimento, capacidade, vontade de aprender, interesse por atualização, curiosidade e iniciativa. As vagas podem ser encontradas nas indústrias de base e de transformação, em empresas de serviços de Engenharia e instituições financeiras, entre outros. Dados do setor de estágios da FEI revelam que cerca de 90% dos alunos da instituição conseguem colocação no mercado assim que concluem a faculdade.

“Todas as áreas da Engenharia são promissoras, mas, se avaliarmos as estatísticas, dá para perceber que a procura por engenheiro mecânico, de produção, mecatrônico e civil é maior. Além de os cursos de Engenharia Elétrica e Química também estarem em alta, podemos citar a área do Meio Ambiente, que está em constante crescimento”, relata Neli Barboza.

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