03 Jun

Demanda em infraestrutura e tecnologia abre perspectivas no mercado de trabalho para engenheiros

O campo da Engenharia tem se expandido para atender às necessidades do País e à modernização dos processos construtivos, de produção e planejamento, em diversas áreas da atividade econômica. Nesse cenário, o engenheiro exerce um papel de grande relevância. Segundo a Vice-Reitora de Extensão e Atividades Comunitárias do Centro Universitário da FEI, professora doutora Rivana Marino, atualmente o País carece de uma grande demanda por obras de infraestrutura. “Estamos em um momento de expansão com construções de estradas, aeroportos e redes elétricas, por exemplo; nessa demanda, o engenheiro tem espaço garantido”, afirma.

Há 13 anos na Vice-Reitoria, formada em Engenharia Química pela FEI, com Doutorado e Mestrado, e pertencente ao corpo docente da Instituição desde 1992, a Profa. Rivana acompanha de perto as mudanças na área de Engenharia e as tendências na formação acadêmica. Respaldada por essa vivência, acredita que este ano será ainda mais promissor para a carreira de Engenharia: a profissão terá um novo impulso com a demanda por profissionais para os setores de infraestrutura e tecnologia. “Para suprir essas demandas, é fundamental que o profissional esteja bem-preparado, atualizado e tenha o conhecimento necessário para propor inovações”, afirma a Vice-Reitora. “A tecnologia é feita de ciência, portanto é preciso dominá-la para produzir e ousar para o novo, ir além do conhecimento adquirido nos livros e na sala de aula”.

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Capacidade para inovar é um diferencial cada vez mais requerido aos engenheiros.

O mercado é muito disputado. De acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – Confea houve um aumento em torno de 230% de profissionais registrados nos últimos 10 anos. Em 2004 estavam registrados 31.357mil profissionais e, em 2014, o número saltou para 103.340 mil em todo o País. Por outro lado, embora os dados sejam controversos, existe um consenso de que faltam engenheiros em número suficiente para atender à demanda da indústria brasileira. Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI o Brasil ainda é o que menos forma engenheiros anualmente, entre os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). São cerca de 30 mil ao ano. A FEI forma cerca de 220.

Para formar profissionais capacitados e com perfil adequado ao novo cenário brasileiro, a FEI oferece aos alunos a oportunidade de aplicar suas habilidades nos laboratórios em aulas práticas, o que favorece o desenvolvimento técnico e contribui para o raciocínio científico. Estimula a pesquisa e a inovação por meio de vários projetos e disciplinas.

Aos interessados em participar do processo seletivo do segundo semestre de 2015 tem até o dia 5 de junho para se inscrever nas seguintes habilitações: Mecânica, Mecânica com ênfase em Automobilística, Elétrica, Elétrica com ênfase em Eletrônica, em Computadores e em Telecomunicações; além de Engenharia Têxtil, Química, Civil, de Materiais, de Produção e de Automação e Controle. As provas serão nos dias 13 e 14 de junho. Informações e inscrições pelo site: www.fei.edu.br ou nas secretarias dos campi da Instituição.

28 May

O aço em baixas temperaturas

Com o projeto ‘Efeito de temperaturas subzero nas propriedades tensão-deformação do aço-estrutural ASTM A516 Gr 70’, o engenheiro mecânico Lucas Bronzatto Adorno investigou a alteração na resistência e na ductilidade de um aço estrutural típico de vasos de pressão para operações com temperaturas negativas até -85ºC em seu trabalho de Iniciação Científica. Finalizada em 2012, a pesquisa foi desenvolvida com orientação do professor Gustavo Donato e recebeu bolsa do Centro Universitário da FEI. Um ano depois, o aluno concluiu a graduação. O pesquisador explica que as estruturas submetidas a baixas temperaturas são, muitas vezes, projetadas e avaliadas com base em propriedades mecânicas obtidas em temperatura ambiente, o que pode incorrer em perda de realismo nas previsões de falha e vida. Esse cenário torna a investigação de relevância. Nos países com invernos rigorosos a importância do estudo é direta, pois as condições climáticas podem expor os equipamentos a temperaturas negativas da ordem das estudadas. Entretanto, até mesmo no Brasil, caracterizado por clima tropical, a expansão de gases em válvulas e outros acessórios de vasos de pressão e dutos podem causar congelamento local com severa redução de temperatura e potencial para mudança nos micromecanismos de fratura e nas propriedades dos materiais. Para avaliar as propriedades de tensão/deformação em baixas temperaturas, Lucas Adorno realizou ensaios de tração em corpos de prova fabricados com o aço em investigação sob as condições climáticas desejadas. Para tornar possível a execução dos testes, o pesquisador desenvolveu uma câmara climática alimentada por nitrogênio líquido para exposição do material a baixas temperaturas. Para tornar os ensaios ainda mais precisos, o engenheiro desenvolveu e calibrou, na própria FEI, os transdutores de deformações (denominados clip-gages) adequados para a instrumentação das amostras dentro da câmara de ensaio. Os corpos de prova foram submetidos a temperaturas de até -85ºC. Segundo o engenheiro, as propriedades mecânicas obtidas evidenciaram variação inversamente proporcional às temperaturas testadas, além de validarem a câmara e os transdutores como recursos confiáveis para testes em baixas temperaturas na Instituição. “Um projeto de Iniciação Científica faz diferença para a formação do aluno. Gostei muito de trabalhar com projetos, além de ter desenvolvido folderes e apresentações”, reforça Lucas Adorno.

Reconhecimento

Com o conteúdo oriundo de seu projeto de pesquisa, o engenheiro venceu a etapa brasileira do Young Person’s World Lecture Competition, concurso organizado pelo Instituto de Materiais, Minerais e Mineração (IOM3), em parceria com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, que reúne jovens cientistas para a apresentação de palestras. Com o título ‘Relevância em quantificar propriedades mecânicas considerando baixas temperaturas para aplicações seguras e eficientes de ações estruturais’, Lucas Adorno destacou a importância de seu estudo. A competição foi realizada em abril de 2013 na Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM). Como prêmio, o pesquisador ganhou uma viagem a Londres para participar do Romantic Chemistry Exhibition, realizado em maio do ano passado, e a classificação para disputar a final mundial da competição, em 31 de outubro de 2013, em Hong Kong.

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Matéria publicada na revista Domínio FEI – Nº18 (pág 28)

13 Feb

Encontro anual há 37 anos

Há exatos 37 anos, os engenheiros mecânicos plenos formados pela antiga Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) mantém uma tradição: no fim de ano, o grupo se reúne para lembrar histórias, contar as novidades e confraternizar. O encontro é promovido ininterruptamente desde que a turma se graduou, em 1976, com pelo menos a metade dos 70 formandos. A última confraternização foi realizada em 22 de novembro no bar e restaurante Estalagem, em São Paulo, que há mais de 20 anos é o local escolhido pelo grupo para o evento.

Identificados com crachás que contêm os nomes e números de matrícula na FEI – turma 24 mil –, os engenheiros afirmam que o interesse coletivo em manter contato é um dos fatores que possibilita a realização anual do encontro. Alguns ex-alunos, graduados em 1975, também participam, como o professor José Agostinho Baitello, atualmente docente do curso de Engenharia de Produção do Centro Universitário da FEI. “O encontro é uma ótima oportunidade para estreitar os laços e é muito divertido”, afirma.

Além de atualizaram os acontecimentos, os engenheiros aproveitam para recordar algumas histórias dos tempos de faculdade. O grupo acompanhou algumas transformações no ensino da Engenharia, dentre as quais a inserção da régua de cálculo em sala de aula, até então inexistente. “A prova de Dinâmica das Máquinas era feita em dois períodos. Um para os alunos que tinham a régua de cálculo e outro para os que não tinham”, recorda o engenheiro Rui Rodrigues. Segundo o ex-aluno Roberto Gremmelmaier, a ausência do instrumento permitiu o aprendizado das fórmulas e o desenvolvimento do raciocínio lógico para a resolução de problemas.

Música e esportes também foram alguns aspectos que se destacaram entre os anos de 1972 e 1976, período em que o grupo estudou na FEI. Segundo os engenheiros Salim Lamha Neto, José Roberto Florido e Carlos Machado, alguns nomes importantes da música brasileira se apresentaram na Instituição, como Elis Regina, Gonzaguinha, Pepeu Gomes e Baby do Brasil, contratados pelo Centro Acadêmico. “O cantor João Bosco, antes de se tornar um artista famoso, se apresentava próximo ao refeitório, em um jardim apelidado de Babilônia”, recorda Carlos Machado.

A turma também possuía bons jogadores de futebol de salão, o que os levou a montar uma equipe para disputar os campeonatos internos da modalidade, até então dominados pelo time da Atlética. O ‘Sifunia’ tinha apenas um jogador de outra turma, o goleiro, que era aluno de Engenharia Química Têxtil e tinha experiência em defesas de handebol. “O time foi o primeiro a quebrar a hegemonia de oito anos da equipe da Atlética. Foi muito gratificante e fizemos um churrasco para comemorar”, acrescenta o engenheiro José Carlos Jodar Lopes.

A turma também esteve envolvida na organização do torneio Inter República, que reunia os estudantes vindos de outras cidades para estudar na FEI. “Futebol de salão, vôlei, basquete e handebol eram as modalidades disputadas na competição”, informa Salim Lamha Neto, que veio do Rio de Janeiro para estudar na Instituição e participou da organização do evento esportivo. O engenheiro lembra, ainda, que uma das regras da competição era que os times fossem formados por moradores da mesma república.

08 Jan

Meio século de formação

O ano de 1963 foi marcado por transformações políticas e culturais. Foi neste ano que chegaram ao Brasil os primeiros imigrantes coreanos; nasceu a personagem Mônica, do cartunista Maurício de Sousa; a gaúcha Ieda Maria Vargas venceu o concurso de Miss Universo e, nas rádios, a canção Please Please Me, do primeiro álbum dos The Beatles, alcançou o primeiro lugar nas paradas britânicas e lançou a banda para o mundo. Em novembro daquele ano, uma turma de estudantes recebeu o diploma de Engenharia Química e Mecânica da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI).

Para comemorar os 50 anos de formatura, parte da turma de 1963 se reuniu em um animado almoço, dia 12 de novembro. Na confraternização estavam 22 ex-alunos – dos 40 que se formaram –, 13 esposas e o paraninfo da turma, o professor Luiz Novaes Ferreira França. “Antigamente, as turmas eram pequenas e havia muito entrosamento entre os estudantes”, destaca o engenheiro mecânico Detlef Werner Schultze, organizador do encontro. Segundo o ex-aluno, os estudantes da FEI constituíam um retrato do que era o Brasil na época, com representantes de diferentes grupos políticos e religiosos, ascendências e nacionalidades.

Presidente da Associação Atlética Acadêmica de Engenharia Industrial (AAAEI) em 1960 e 1961, Detlef Schultze lembra a importância do esporte na Instituição, com relevantes resultados em competições de judô e beisebol, influenciados pela presença de estudantes de origem nipônica, além da chegada do handebol ao País na década de 1960 e de sua inserção em campeonatos universitários. Para o engenheiro mecânico Pedro Liguori, a oportunidade de reencontrar os amigos de faculdade 50 anos após a formatura é emocionante. Com carinho, o ex-aluno reforça a importância dos docentes para a sua formação técnica, humanística e ética.

Única mulher da turma, a engenheira química Maria Helena Andrade Orth era protegida pelos colegas, que a tratavam com carinho e respeito. Além dela, apenas duas outras mulheres cursavam a FEI na época. “Havia muita proximidade entre os alunos, éramos como uma família”, diz. Durante o quarto ano da graduação, a então estudante começou a trabalhar como aluna assistente de Química Geral e, em 1962, tornou-se docente na FEI, onde ministrou aulas de Química Geral e Química Orgânica, além de laboratório, até 1972.

Com bom humor, o engenheiro mecânico Nasser Chicani conta que passou no vestibular em 43º lugar, a última colocação daquele processo. “A FEI sempre foi referência em ensino e representava boas oportunidades profissionais. Eu tinha de estudar lá”, enfatiza. Naquele ano, 50 vagas foram abertas para o vestibular da FEI. Tal situação fez com que Nasser Chicani e outros estudantes, como o engenheiro mecânico e ex-presidente do Centro Acadêmico, Benedito Nicotero, se engajassem para a admissão de todos os estudantes aprovados no vestibular, especialmente os considerados ‘excedentes’. O professor Luiz Novaes Ferreira França, paraninfo da turma, formou-se engenheiro mecânico na FEI em 1951, deu aulas na Instituição. “A FEI representa um aspecto importante da minha vida profissional, gosto muito de lá”, afirma. Aos 86 anos de idade, o engenheiro ficou muito satisfeito em rever o grupo meio século após a colação de grau.

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Matéria publicada na revista Domínio FEI – Nº17 (pág 12)

02 Aug

FEI X-1, o primeiro protótipo da FEI

Em agosto de 1968, um clima de mistério tomou conta das redondezas do galpão da faculdade de Engenharia Mecânica. Tudo estava escondido atrás de tapumes, para que ninguém mais soubesse o que estava sendo construído lá dentro. Alunos entravam e saíam do galpão, despertando a curiosidade dos demais estudantes, mas nada era comentado. Naquele local ficava o Departamento de Estudos e Pesquisas de Veículos (DEPV), coordenado por Rigoberto Soler, professor de Carroceria do então curso de Engenharia Operacional na modalidade Mecânica Automobilística.

O resultado de tanto sigilo foi o que se considerou na época o carro do futuro: o FEI X-1, um veículo anfíbio de propulsão aerodinâmica para andar sobre rodas e sobre colchão de ar. Ele foi projetado e construído por Soler e os alunos que se dispuseram a passar os próximos 60 dias totalmente envolvidos com o veículo, que seria apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo.

O desafio era grande, pois o projeto disputaria a atenção do público e imprensa com os lançamentos das montadoras, que estavam se preparando há muito mais tempo para o evento. No entanto, os alunos da FEI não se intimidaram e lançaram-se ao trabalho, que ficou pronto antes do prazo estimado.

No chão e na água

O FEI X-1, primeiro protótipo saído do DEPV, era construído em madeira e pesava apenas 380 kg. Seu aspecto futurista vinha das linhas aerodinâmicas da carroceria, além da hélice e o leme colocados na traseira. Ele tinha rodas traseiras de Gordini e duas gêmeas de Kart na dianteira. A partir de determinada velocidade (60 km/h) a dianteira se levantava e o FEI X-1 passava a usar um colchão de ar, impulsionado pela hélice.

Seu motor era de Gordini e a transmissão tinha apenas duas marchas: uma para frente e outra à ré. Uma das grandes novidades do veículo estava na direção – em vez de um volante, o piloto o dirigia com um manche, como num avião. O FEI X-1 foi projetado também para andar sobre a água, em uma velocidade de 20 km/h. Na terra podia atingir 150 km/h, quando apoiado nas rodas traseiras. Embora fosse um protótipo, nenhum detalhe de acabamento foi esquecido. Com espaço para duas pessoas, tinha bancos reclináveis, com um painel que exibia seis mostradores redondos, colocados verticalmente no centro.

Como sempre aconteceria a partir de então, e numa prova da inesgotável criatividade daquela equipe, o protótipo foi construído com o material disponível na faculdade. Sua construção em menos de dois meses também era o prenúncio de outra “tradição” que tomaria conta do DEPV: as longas jornadas, nas quais os alunos, técnicos e engenheiros comandados pelo mestre Soler – como se referiam a ele – viveriam para os projetos.

Sucesso no Salão do Automóvel

Tanto trabalho valeu a pena: eles responderam ao desafio de desenvolver e apresentar o projeto em tempo recorde. A ideia era fazer o FEI X-1 chegar rodando ao Salão do Automóvel, e foi o que aconteceu. O protótipo foi pilotado pelo professor Soler, que o levou de São Bernardo do Campo para o Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, onde se realizava o Salão. Seria uma viagem inesquecível para todos.

A visão de um veículo que era um misto de carro, barco e avião chamou muito a atenção das pessoas. Um fato curioso ocorreu na saída da FEI, quando o cabo de acelerador quebrou, forçando o protótipo a parar. Um morador da região, a cavalo, perguntou assustado se Soler não tinha se machucado com a queda do “avião”. Essa passagem entrou para a coleção de histórias da Automobilística.


Alguns carros fizeram a escolta do FEI X-1, inclusive um carro da Polícia Rodoviária, até o Salão, aonde o protótipo chegou rodando sem problemas, a não ser pela atenção que chamava em todas as ruas por onde passou. Mas a maior surpresa foi quando o então prefeito de São Paulo, o brigadeiro Faria Lima, perguntou se ele poderia dirigir o veículo. O prefeito, que era piloto de avião, deu uma volta no FEI X-1 e ficou bastante satisfeito com seu desempenho, embora fosse apenas uma demonstração do protótipo.

Ao se abrirem as portas do Salão do Automóvel de 1968, o protótipo da FEI fez bonito: considerado o veículo mais revolucionário daquela edição do evento, atraiu a atenção do grande público e da mídia especializada o tempo todo.

Marca genética

O desenho criado por Rigoberto Soler foi um prenúncio dos próximos projetos que sairiam do DEPV, como o FEI X-2, o FEI X-3 e o TALAV. Ele já trazia em si a marca genética dos veículos produzidos no departamento: a preocupação com a aerodinâmica, o cuidado com os “sagrados cânones”, como Soler chamava as leis da Mecânica e as da Segurança, pois de nada adiantava um projeto visionário, futurista, se ele não respeitasse essas leis.

Pensando nisso, o grupo do DEPV – que passou por diversas mudanças na equipe com o passar do tempo, mas sempre mantendo o mesmo espírito inovador e empreendedor do início – partiu para novos projetos, como o FEI X-2, o FEI X-3 e o TALAV. Todos esses projetos tinham um “ancestral” em comum: o FEI X-1.

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