20 maio

Mulheres ao ataque: a participação feminina nos projetos institucionais da FEI

De uma média de oito mil estudantes, hoje, o Centro Universitário FEI tem aproximadamente duas mil alunas. Apesar de ser um ambiente ainda majoritariamente masculino, as mulheres vêm conquistando seu espaço em cursos e profissões que antes eram consideradas apenas para homens. Nos projetos institucionais, esse crescimento não poderia ser diferente.

As integrantes femininas do PACE-FEI.

As integrantes femininas do PACE-FEI.

A FEI possui sete projetos institucionais compostos por alunos da graduação: AeroDesign, FEI Baja, Fórmula FEI, Maratona de Programação, ROBOFEI, Projeto APO e PACE-FEI. Os projetos ensinam lições de trabalho em equipe, gestão de prazos, comunicação e expressão, além de permitirem maior conexão entre a teoria de sala de aula com a prática. Segundo a Presidente do PACE e aluna de Engenharia Mecânica Automobilística, Ana Cox, os projetos não atrapalham o desempenho acadêmico dos alunos. “Depois que comecei a trabalhar no PACE, aprendi a gerenciar melhor meu tempo. Fazer um cronograma é essencial para se organizar durante o semestre. ”.


Mulheres nos Projetos

Apesar das equipes contarem com membros femininos, a participação das alunas ainda é pequena perto da masculina. Segundo a aluna Giulia Amatruda, membro da Equipe FEI Baja, ela sempre passava pela oficina e se interessava pelo projeto, mas tinha muita vergonha de participar porque não existia nenhuma menina.

O Coordenador do curso de Ciência da Computação e da ROBOFEI, Flávio Tonidandel, conta que quando se trata de Robótica, existe um interesse muito grande das mulheres pelo tema. “Temos meninas no grupo de futebol de robôs desde o seu início, em 2003. Robôs atraem o interesse não só dos homens, como das mulheres. Basta ver que na Olimpíada Brasileira de Robótica, desde 2013, a relação entre meninos e meninas, do ensino fundamental e médio, é de 55% meninos para 45% de meninas, na modalidade teórica. ”.

As alunas Jade e Marina fazem parte da ROBOFEI e estudam Engenharia Mecânica.

As alunas Jade e Marina fazem parte da ROBOFEI e estudam Engenharia Mecânica.

Membro da ROBOFEI e trabalhando diretamente no desenvolvimento da Robô Judith, a aluna Marina Gonbata, concorda com o Coordenador Flávio Tonidandel. “Nunca tive nenhum problema dentro da equipe por ser mulher. O pessoal aqui valoriza a eficiência e a eficácia. ”. Jade Gali participa da ROBOFEI, mas na equipe dos Robôs Humanoides, e afirma que a maior pressão parte dela mesma: “Eu tinha visto algumas fotos do projeto e não vi nenhuma mulher, fiquei um pouco tensa com isso porque eu sempre tenho a sensação de que por ser mulher eu preciso provar mais que os demais. ”.

A equipe FEI AeroDesign é o projeto com o maior número de alunas participantes. A aluna de Engenharia Mecânica, Ligia Canassa, conta que as meninas são tratadas de igual para igual: “Carregamos peso, nos sujamos, no AeroDesign não existe diferença entre homem e mulher na hora de trabalhar. ”. Também parte do Aero, Ligia Garcia, conta que pessoas de fora fazem comentários machistas. “Nunca senti nenhuma resistência por participar dos projetos, mas sempre acontecem perguntas do tipo ‘Nossa, mas você sabe mexer com isso?’, ou, ‘Será que a equipe vai para frente com esse monte de mulher agora?’ É melhor rir para não chorar. ”.

A aluna Joice Laiane, da equipe Baja, acredita que as mulheres ainda enfrentam um "machismo mascarado".

A aluna Joice Laiane, da equipe Baja, acredita que as mulheres ainda enfrentam um “machismo mascarado”.

Coordenador do Curso de Engenharia Mecânica da FEI, o Professor Gustavo Donato fala o quanto a participação das meninas nos projetos agrega positivamente para o desenvolvimento das equipes “Uma maior participação das alunas já vem ocorrendo nos últimos anos, não só nos projetos como na engenharia mecânica. Não existe qualquer impedimento à atuação de excelência das alunas, seja nos projetos ou no mercado de trabalho. O trabalho das mesmas tem sido de muita dedicação, contribuição e qualidade, o que naturalmente demonstra a igualdade de condições e a meritocracia do processo. ”.

O Coordenador acredita que embora exista uma predominância dos rapazes nos projetos, a divulgação do sucesso das alunas nas equipes reverberará favoravelmente a um aumento ainda mais acentuado na participação.

Machismo em pauta

Segundo a aluna Vitória Migliano, de Automação e Controle e membro do Fórmula FEI, muitas vezes, a engenharia e os projetos que a envolvem são mais frequentados por homens, justamente porque existe um receio em ingressar em um ambiente predominantemente masculino, mas reforça que essa objeção é um equívoco, uma vez que não há uma diferença negativa por parte dos rapazes da equipe. “Quando eu ingressei no Fórmula FEI, percebi que os meninos sempre se preocuparam em me orientar ou me repreender de uma forma delicada. Eu acho que isso é um sinal de respeito e que faz com que eu me sinta acolhida em um ambiente ao qual eu não estava acostumada. ”.

Mayara Lumi, faz parte do Projeto APO e é estudante de Engenharia Civil. “A adaptação na equipe é baseada em adquirir responsabilidades ao longo do tempo e não existe um tratamento diferente por ser mulher. ”.

As quatro integrantes da Equipe Fórmula FEI e Fórmula FEI Elétrico.

As quatro integrantes da Equipe Fórmula FEI e Fórmula FEI Elétrico.

Ambas alunas de Engenharia de Produção e parte do Fórmula FEI, Isabela Manis e Catharine Corá concordam que a maioria das pessoas reagem com surpresa quanto à participação delas na equipe. “Particularmente acho engraçado, não vale a pena se aborrecer por isso. ”, diz Catharine.

Apesar de todas as meninas concordarem que dentro dos projetos não existe diferença entre gêneros, a grande maioria relata situações em que a escolha pelos cursos de Engenharia foi questionada apenas por serem mulheres. Me falaram que eu não ia conseguir emprego porque entre uma mulher e um homem para mexer em um carro, qualquer um escolheria um homem”, conta Giulia, que estuda Engenharia Mecânica.  Lígia Garcia completa: “Já ouvi coisas como “vocês, meninos, que andavam de bicicleta e já passaram óleo na corrente.”, como se nenhuma menina nunca tivesse andado de bicicleta na vida. ”.

A conclusão de todas é uma só: não se deve abandonar o que se gosta por medo da reação e julgamento de terceiros, afinal, é essa escolha que define com o que você trabalhará por toda a vida. Para Camilla Marianno, do PACE, praticar o respeito é a melhor forma de se enfrentar situações desagradáveis.

Aero

A Equipe FEI AeroDesign tem o maior número de representantes mulheres. Ao todo, são oito alunas.

“Queremos ser respeitadas e tratadas igualmente e isso inclui fazer engenharia, fazer parte de um projeto da faculdade, ganhar o mesmo salário e, principalmente, poder andar sozinha sem medo nas ruas.”, fala Lígia Garcia.

Jade Gali deixa um recado a todas as alunas que ainda sentem receio na escolha do curso e em participar de projetos como esses: “Se der medo, vai com medo mesmo, muitas já passaram por isso e outras muitas vão passar e, se precisar de ajuda, eu e todas as outras vamos estar com os braços abertos para ajudar. Vai dar receio de não saber se é a escolha certa, mas vai em frente assim mesmo, não pode desistir sem tentar. ”.

Muque

 

Alunas Entrevistadas: Amanda Giordano, Andressa Badú, Ana Cox, Camila Marianno, Catharine Corá, Giovanna Coelho, Giulia Amatruda, Isabela Manis, Jade Gali, Jessica Ikuta, Joice Laiane, Ligia Canassa, Lígia Garcia, Marina Gonbata, Mônica Américo, Mayara Lumi, Nathália Andrade e Vitória Migliano. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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