17 set

O menino da praia…

Há meses, diariamente, os jornais da TV trazem cenas de barcos à deriva com centenas de refugiados em uma fuga desesperada em busca de sobrevivência em outros países. Já são milhares os que se aventuraram, entre eles, os que conseguiram seu intento e os que ficaram no caminho vítimas da tempestade, da fome, da doença e do cansaço.

Essas imagens passaram a ser mais uma notícia entre tantas outras negativas que se sucedem e já não nos chamam a atenção, geram maior compaixão e alguma revolta. Apenas mais uma reportagem das agências a se repetir em toda a mídia, matérias para preencher o espaço, criar sensacionalismo.

No dia, porém, a foto foi impactante, traumatizando o mundo. Não foi a destruição dos monumentos de uma das mais antigas relíquias do patrimônio histórico da humanidade pelas marretas da intolerância cultural. Foi simplesmente o corpo de um garotinho deixado pelo mar à beira da praia.

Parecia dormir, solitário, acariciado apenas pelo vai e vem das ondas que delicadamente envolviam o seu corpo inocente. Um aviso, um recado da natureza?

Num instante, a imagem espalhou-se por todo o mundo. A foto foi estampada nas primeiras páginas dos jornais, a cena exibida repetitivamente nos noticiários da televisão com análises dos comentaristas e virou assunto de conversa entre as pessoas em casa e no trabalho. Por que apenas o sofrimento dos inocentes pode sensibilizar o mundo?

A dor tem a força de desmontar toda e qualquer filosofia, religião ou ideologia comportamental. Ela não tem fronteiras, não tem limites. Somente o choro compulsivo desesperado, as lágrimas por vidas perdidas têm o dom de tocar o sentimento das pessoas com maior profundidade. A sociedade que não leva em consideração o sofrimento torna-se desumana. Só a consideração com o sofrimento faz com que se tenha consciência da realidade.

Foi preciso um garotinho ser encontrado morto na praia para que a humanidade se desse conta do absurdo das fronteiras fechadas, dos muros e cercas de arame farpado.

IMG_8595Infelizmente, daqui a algumas semanas, será só mais uma imagem que foi para o arquivo do esquecimento substituída por outras inevitáveis tragédias. Para a mídia, serão novas reportagens sensacionalistas. Para os cristãos, é a confirmação e programa de ação traçado por Jesus Cristo.

Através das obras de misericórdia, da sensibilidade para o sofrimento e da identificação com os que sofrem, todo aquele que entendeu sua mensagem sabe que é por esse caminho que passa a recuperação do humanismo.

Não interessa para quem o soldado entregou o corpo do menino. Foi entregue a cada um de nós.

 

                                                                                           Paulo D’Elboux –setembro 2015

Comentários

  1. Querido Padre Paulo D’Elboux…realmente a cena daquele garotinho, inocente, que parecia dormir na beira da praia impressionou muito. A Maldade contida na humaninade parece não ter fim. Como dormir com uma cena destas na cabeça? Confesso que minha vida mudou após o nascimento de minha filha e fatos como este nos chocam mais ainda. Quando vamos ter fim neste massacre da humanidade? Que Deus proteja as crianças. Amém.

Curta nossa página no Facebook

Twitter