12 set

A evolução da robótica

Considerada a terceira revolução industrial, a robótica está amplamente presente na indústria – de carros a alimentos –, nas quais os robôs são responsáveis por tarefas que exigem extrema precisão, como soldas, forjas e pinturas. Além disso, está entre as mais modernas ferramentas da Medicina e propicia que máquinas e médicos dividam os centros cirúrgicos, permitindo que os procedimentos sejam muito mais seguros e menos invasivos. Agora, tem início uma nova revolução da robótica, com o desenvolvimento de pesquisas que visam deixar os robôs ainda mais próximos das pessoas. O Brasil tem aumentado as pesquisas relacionadas à robótica, tecnologia e Inteligência Artificial nas últimas décadas e, com isso, começa a se tornar referência internacional. O desafio dos próximos anos é aliar a produção científica ao desenvolvimento tecnológico, já que os sistemas robóticos deixam de ser máquinas com operações específicas e pré-programadas para serem capazes de se locomover e interagir com objetos e indivíduos. Referência por manter importantes estudos nesta área, o Centro Universitário da FEI trabalha com linhas de pesquisas para fazer robôs atuarem de forma mais autônoma. Com o tema ‘Raciocínio espacial para múltiplos robôs’, o projeto coordenado pelo professor doutor Paulo Eduardo Santos, docente do Departamento de Engenharia Elétrica da FEI, e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), tem como objetivo implantar um sistema robótico com múltiplos pontos de vista de robôs autônomos. “Um robô terrestre terá determinado ponto de vista da cena e vai traduzi-lo em informação para guiar o posicionamento e a navegação dos robôs aéreos que, simultaneamente, farão o mesmo. A soma dessas informações resultará em uma base de conhecimento único, capaz de extrair informações e executar inferências”, explica. Segundo o professor, embora seja direcionada para a comunidade científica mundial, a indústria também poderá se beneficiar desta pesquisa e aplicá-la em inúmeros ambientes. “É possível utilizar este conhecimento em uma linha de montagem com sensores que precisam se comunicar, em sistemas de comunicação aérea, em veículos autônomos não tripulados na busca e no resgate de pessoas, no patrulhamento de florestas, na vigilância das fronteiras marítimas e terrestres e, em longo prazo, até mesmo no desenvolvimento de um sistema automático de monitoramento em, por exemplo, grandes eventos esportivos”, enumera. A pesquisa, que teve início em agosto de 2012 e tem participação de alunos de Iniciação Científica, mestrado e doutorado, assim como pesquisadores de pós-doutorado, está direcionada a várias vertentes que se somarão no decorrer do processo. “Há diversos trabalhos em desenvolvimento, entre eles sistemas de comunicação e controle automático dos robôs aéreos, proposta de sistemas de satisfação de restrições espaciais e sistema que identifica e faz com que os robôs se reconheçam”, pontua o coordenador. Os estudos sobre a semântica dos comandos já começaram e, com base nos dados dos robôs, já foi definido um conjunto de expressões espaciais. O próximo passo é captar a imagem do campo de visão e traduzir expressões em termos de lógica probabilística.

Conhecimento compartilhado

Lucas Malassise Argentim, do 7º ciclo de Engenharia de Automação e Controle, é um dos alunos de Iniciação Científica participantes do estudo. “Tenho pesquisado de que forma os robôs aéreos podem cumprir as tarefas designadas sem que haja interferência humana. O quadrirotor deve ser capaz de voar autonomamente dadas quaisquer condições do ambiente. Como aluno de Iniciação Científica, busco extrair o máximo dessa pesquisa para meu crescimento em áreas não percorridas durante a graduação”, relata. Já o aluno de mestrado em Engenharia Elétrica, Abel Augusto Ribeiro Guimarães, está trabalhando na visão dos robôs e sua pesquisa consiste em avaliar como poderão enxergar a mesma cena e se comunicar para a troca de informações. Para o estudante, o mais importante desta participação é o alcance de conhecimento que a pesquisa vai possibilitar, o que complementará de forma robusta seu aprendizado. Doutoranda da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP), a estudante Valquíria Fenelon desenvolve seu trabalho nos laboratórios da FEI com coorientação do professor doutor Paulo Eduardo Santos. “Estou em um momento que preciso encontrar algo novo que contribua efetivamente para a robótica, ampliando informações e agregando valores”, afirma a aluna, cuja função no projeto é trabalhar na interpretação de imagens para deixar os robôs mais autônomos. Embora não esteja totalmente vinculado ao projeto, o pós-doutorando Murilo Martins utiliza a FEI como instituição sede para o desenvolvimento da sua linha de pesquisa. O pesquisador trabalha no desenvolvimento de software e algoritmos buscando aplicações e resultados práticos. “Depois de passar por todas as etapas de aprendizado, vejo que cada processo foi fundamental para meu crescimento profissional. Ser pesquisador em tempo integral me permite contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento da Ciência”, ressalta.

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Matéria publicada na revista Domínio FEI – Nº15 (pág 24)

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