31 Jul

Gargalos do pré-sal

O Brasil é reconhecidamente o maior produtor mundial de hidrocarbonetos em águas profundas (laminas d’água superiores a 700 metros), o que coloca o País em um grau de tecnologia bastante elevado, especialmente porque a exploração em águas profundas está migrando para outras bacias, como as do Leste e Oeste do Continente Africano e do Golfo do México. Portanto, o Brasil poderia ou deveria ser um ‘exportador’ de tecnologia. Entretanto, como se beneficiar se não entender quais os gargalos que possam interferir no desempenho em um cenário mundial tão competitivo? Essa é uma das perguntas que a dissertação de mestrado em Administração ‘O potencial das reservas em hidrocarbonetos do pré-sal e os gargalos não tecnológicos da indústria nacional’, de Farley Granger de Almeida Vilaça, tentou responder.

Com foco nas oportunidades para o reposicionamento da indústria nacional a partir do potencial das reservas do pré-sal e a contraposição quanto aos gargalos não tecnológicos que ameaçam a competitividade da cadeia produtiva nacional, a pesquisa avalia a estruturação da problemática para determinar como o capital humano, a capacitação empresarial e as deficiências estruturais são percebidos pela indústria, pelo governo e pelas instituições de ensino e pesquisa. Além disso, analisa de que maneira esses ‘atores’ se relacionam para superar gargalos ou obstruções de caráter não tecnológico que impactam a competitividade da cadeia produtiva do setor offshore de óleo e gás natural.

A dissertação também aborda um cenário de mudança, não somente pelo aspecto de inovação tecnológica que viabilize a exploração de óleo e gás em águas ultraprofundas, mas, principalmente, pela demanda por um reposicionamento que possibilite uma rápida alavancagem na curva de aprendizado organizacional para o setor da indústria. “Trabalho no setor de exploração, produção e distribuição de óleo e gás natural desde 1997. O Brasil levou 60 anos, desde a criação da Petrobras, para atingir o patamar de produção de 2 milhões de barris de óleo por dia. O pré-sal lança o desafio de adicionarmos outros 2 milhões de barris até 2020, ou seja, em menos de 10 anos. O entendimento das deficiências que afetam a indústria nacional de bens e serviços tem sido pauta de vários outros estudos, mas meu foco foi analisar e entender como os gargalos não tecnológicos afetam o desempenho nacional”, explica Farley Vilaça, que é gerente de Novos Negócios do Centro de Pesquisas Global da General Electric no Brasil.

A pesquisa revelou que 89% do total de referências extraídas pelo método de análise de conteúdo, em relação às causas relacionadas ao objetivo de aumento de competitividade da indústria nacional, tem forte conotação com o papel regulamentador do governo e é encarado como processo de alto ou médio grau de dificuldade no tocante à sua resolução, visto que se defronta com a questão de consenso entre múltiplos interesses. “Isso significa dizer que, enquanto a sociedade brasileira não se debruçar sobre o papel regulamentador do Estado, estaremos à margem da ineficiência burocrática e poderemos perder a oportunidade de passar de simples produtores de matéria-prima para geradores e exportadores de alta tecnologia”, complementa.

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Matéria publicada na revista Domínio FEI – Nº19 (pág 40)

02 Jun

Internet sem complicação

Nos últimos anos, com o aumento da quantidade de informações e serviços disponibilizados através da internet, as interfaces de sites e aplicativos Web estão se tornando complexas e sofisticadas, impactando diretamente na usabilidade dos mesmos. A dissertação de mestrado de Engenharia Elétrica ‘Identificação Automática de Perfis de Grupos de Usuários de Interface Web’, defendida pelo diretor de Tecnologia da Aspbrasil, Fernando de Medeiros D’Angelo, formado em Ciência da Computação, propõe a análise do comportamento dos usuários durante a utilização de interfaces web como forma de entender melhor essa interação.

Considerando que o sucesso ou o fracasso de sites e aplicativos Web estão diretamente relacionados com a facilidade e com a satisfação do usuário para a conclusão de um serviço ou localização de uma informação, o desenvolvimento de interfaces agradáveis e de fácil utilização torna-se importante. Outro fator apontado no estudo que justifica o desenvolvimento de interfaces Web com boa usabilidade é a diminuição de carga dos servidores, uma vez que os usuários concluem as tarefas em menor tempo e utilizam menos recursos do servidor, aumentando a desempenho e a eficiência deste.

O processo apresentado no estudo tem como objetivo identificar, de forma automática, grupos de usuários que possuem comportamentos semelhantes no uso de uma interface Web. Para tanto, foi desenvolvido um processo baseado em algoritmos de Inteligência Artificial que permite capturar as interações dos usuários em uma determinada interface Web, agrupar tais usuários, usando como critério a similaridade no uso da interface Web, e identificar as principais características comportamentais de cada grupo.

“Conseguimos identificar quais são as características mais relevantes para a diferenciação entre os grupos gerados e quais as características mais uniformes e mais dispersas entre os usuários de cada grupo. O processo auxilia o desenvolvimento de interfaces Web compatíveis e adaptadas às características do público alvo”, explica. O mestrando acredita que o processo definido na pesquisa atingiu os objetivos desejados e pode auxiliar especialistas em usabilidade no melhor entendimento do comportamento de navegação do usuário em interfaces Web.

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Matéria publicada na revista Domínio FEI – Nº18 (pág 40)

03 Jun

Restauração de fotos para o bem social

Com o avanço da tecnologia, cresceu também o número de aplicativos que utilizam a face como informação importante para a identificação de pessoas, como o processo de busca por crianças desaparecidas. No entanto, para o reconhecimento automático de imagens é preciso que as fotos estejam com um determinado padrão de resolução, o que nem sempre acontece. Essa dificuldade serviu de inspiração para uma dissertação de mestrado que identifica defeitos, danos e rasuras em fotos de rosto, os elimina e ainda consegue reconstituir a face.

Desenvolvido pelo mestre em Engenharia Elétrica André Sobiecki, o trabalho ‘Segmentação e restauração digital de artefatos em imagens frontais de face’, orientado pelo professor doutor Carlos Eduardo Thomaz, do departamento de Engenharia Elétrica, tem como objetivo tornar imagens de face danificadas ou com artefatos em fotos com melhor qualidade de visualização, favorecendo o desempenho dos algoritmos de reconhecimento facial. Para se chegar nesse resultado, as imagens percorrem três etapas: verificação de qualidade, identificação da rasura e reconstrução das características da face.

Para os modelos computacionais que fazem essa restauração, André Sobiecki criou algoritmos e estudou métodos de restauração digital (do inglês inpainting) já existentes, como os desenvolvidos pelo professor doutor Alexandru Telea, do Departamento de Visualização Científica e Computação Gráfica da Universidade de Groningen, na Holanda. “O destaque desse trabalho é que, além de restaurar rasuras das fotos, também é possível corrigir a área danificada inserindo parte de uma imagem semelhante. Por exemplo, em uma foto de criança com chupeta retiramos o objeto e inserimos uma boca que mais se assemelha com as características biométricas dessa criança”, explica o orientador.

Essa técnica pode ser utilizada, por exemplo, em fotos de pessoas desaparecidas, que geralmente são de baixa qualidade digital, em preto e branco ou danificadas por carimbos, luminosidade e presença de óculos. “A preocupação em melhorar a qualidade digital de imagens de face automaticamente é pouco explorada. Além disso, os métodos de restauração digital inpainting começaram a ser desenvolvidos há aproximadamente 13 anos e são extremamente novos para a comunidade científica”, explica o autor do estudo.

Logo após finalizar o mestrado, André Sobiecki começou o doutorado na Universidade de Groningen e tem como orientador Alexandru Telea, que se interessou pela sua dissertação de mestrado e, hoje, trabalha conjuntamente na criação de novos métodos de inpainting para imagens de face. “Como passo futuro, imagino me aprofundar mais nos métodos de segmentação e procurar atingir melhores resultados na parte de identificação de artefatos”, argumenta o doutorando.

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