17 Jun

Do ABC à Las Vegas – Conheça a história do Diogo dos Santos

Diogo dos Santos tem 24 anos, é bolsista integral na FEI e aluno do 9º ciclo de Engenharia Mecânica. A FEI era um sonho que se tornou realidade após conseguir uma bolsa de estudos integral. Através do Programa Ciências sem Fronteiros, o Diogo passou a sonhar mais alto e um pouquinho mais distante também. Foi para Las Vegas, EUA e estudou lá por dezessete meses. Saiba mais sobre suas experiências e tudo o que ele têm para contar sobre o período em que morou fora do país.

O Grand Canyon era um dos lugares que o estudante mais sonhava em conhecer.

O Grand Canyon era um dos lugares que o estudante mais sonhava em conhecer.

Por que escolheu fazer engenharia?

Sempre fui apaixonado por Engenharia desde criança. Já tive o sonho de ser piloto de retroescavadeira e de carro de corrida. Desde o dia que soube o que era faculdade e que um dia teria que escolher uma profissão, já sabia que a escolha seria Engenharia Mecânica.

Por que escolheu fazer FEI?

Quando eu estava no oitavo ano do colégio, conheci o Fórmula FEI através de um vídeo no Youtube. Desde então, estudar na FEI se tornou um objetivo de vida. Costumo falar que mesmo antes de começar a estudar aqui, eu já era aluno da FEI, pois eu sabia de toda sua história e fama como uma das melhores faculdades de Engenharia do país.

Você é bolsista na FEI. O que representou a conquista dessa bolsa?

Sou bolsista pelo Pro Uni. Ser bolsista na FEI representa uma das maiores conquistas que já consegui, assim como para os meus pais. Minha mãe era dona de casa e meu pai um metalúrgico aposentado, então a renda que tínhamos em casa era praticamente o valor da mensalidade da FEI. Tentei por três vezes entrar a FEI como bolsista e não consegui. O dia em que pisei na FEI como aluno regularmente matriculado se tornou o dia mais feliz da vida deles e uma das poucas vezes que vi meu pai chorar.

Quais as dificuldades que os calouros enfrentam?

Na FEI, a maiorias das matérias não cobram lição de casa ou trabalhos, como é feito no colégio, então cabe ao aluno ter autodisciplina para garantir uma boa performance no curso. Desde o início, tento ao máximo me dedicar com seriedade e manter uma postura positiva, o que, no meu caso, vem me ajudando até hoje. Uma dica para os calouros: estude para todas as provas mirando um 10, e assim, mesmo que algum deslize ocorra, você não se sairá totalmente mal.

Quais outras atividades dentro da FEI que você participou ou participa? 

Para mim, atividades extracurriculares são muito importantes para alunos de graduação, então sempre estive envolvido com atividades que possibilitam meu desenvolvimento. Já fiz Iniciação Científica durante um ano e, atualmente, faço parte da monitoria. Estar envolvido com essas atividades dentro FEI me ajudam a manter o foco na graduação.

Diogo e a namorada tailandesa, Hannah , no Havaí.

Diogo e a namorada tailandesa, Hannah , no Havaí.

Você morou nos Estados Unidos por um ano e meio. Como ficou sabendo do Programa Ciência sem Fronteiras?

Fiquei sabendo do Programa Ciência sem Fronteiras pelo site e meios de comunicação da FEI. O único problema era que eu só falava português, então comecei a me dedicar para aprender inglês e me inscrever para universidades norte-americanas. De novo, foram mais três tentativas de conseguir uma bolsa de estudos em uma dessas universidades.

Que tipo de dificuldades encontrou durante o intercâmbio?

Quando saí do país, meu nível de inglês era básico e eu tinha muita dificuldade de me comunicar, mas sempre tentava ao máximo me relacionar com alunos estrangeiros. Algo que me ajudou a aperfeiçoar o idioma foi namorar alguém de outro país, porque passava a maior parte do tempo com ela e era obrigado a falar o inglês.

Se você pudesse apontar o que você mais aprendeu durante o intercâmbio, o que seria?

Eu criei mais responsabilidades, porque além de ser um estudante e ter que me preocupar com o meu desempenho acadêmico eu tinha que ir ao banco, pagar contas, fazer compras. Coisas que até então não estava acostumado a fazer.

Estagio

Diogo posa em frente ao Laboratório em que estagiava.

Você estagiou fora do país. Como foi essa experiência?

Comecei a me inscrever para vagas de estágio com seis meses de antecedência e nesse período fiz duas entrevistas Em uma delas, cheguei até a última fase e na outra, fui contratado. A experiência de poder estagiar foi uma das melhores que já tive, pois tinha muito apoio e autonomia por parte dos meus colegas de trabalho. Estagiei como Engenheiro Mecânico em um laboratório que fazia projetos na área de entretenimento. Projetava peças e ferramentas utilizando o CAD software (software de desenho), impressora 3D e máquinas de usinagem.

O que mudou no Diogo depois do intercâmbio?

Agora eu me sinto muito mais independente e pronto para aprender algo novo. Sem contar que o intercâmbio contribui muito para eu me relacionar com pessoas de culturas e mundos diferentes do meu. O intercâmbio pode ser uma das maiores experiências durante a vida acadêmica.

San Franciso

Universidade

08 Mar

Aluna de Administração participa de evento do Santander sobre mobilidade internacional

A ex-aluna, formada em Administração pela FEI, Jacqueline de Oliveira Dias dos Santos, participou de um evento no dia 16 de fevereiro com o Diretor Global do Santander Universidades, José Antônio Villasante Cerro. Confira a entrevista com a ex-aluna sobre sua experiência durante o intercâmbio na Espanha:

Qual programa de mobilidade internacional você participou?

Participei do Programa TOP ESPANHA – Edição 2014, promovido pelo Santander Universidades, no qual fui contemplada com uma bolsa de estudos para Curso de Idioma e Cultura Espanhola, no período de 3 semanas, na cidade de Salamanca.


Como ficou sabendo do intercâmbio?

Recebi uma comunicação via e-mail em maio de 2014 com informações sobre a  bolsa e prazo de inscrição para o programa, assim como, dois arquivos informativos: Edital Interno FEI e Princípios do Programa. O processo durou aproximadamente duas semanas. As inscrições no site do Santander Universidades ficaram abertas no mês de maio, o edital da FEI foi publicado em 21 de maio de 2014 e recebi um e-mail confirmando que fui selecionada para a bolsa em 03 de junho. Os critérios de seleção eram atribuídos por cada universidade participante. No caso da FEI, além dos requisitos do candidato, os critérios eram estar no ciclo de curso mais adiantado e ter o melhor índice de desempenho acadêmico. Foram selecionados apenas dois alunos (um do campus de SBC e outro de SP).

Momento da entrega do certificado de conclusão dos cursos de Língua Espanhola e Espanhol dos Negócios na USAL, com classificação “Sobresaliente” (Excelente).

Momento da entrega do certificado de conclusão dos cursos de Língua Espanhola e Espanhol dos Negócios na USAL, com classificação “Sobresaliente” (Excelente).

Quais eram suas expectativas em relação ao intercambio? Elas foram supridas?

Minhas expectativas eram grandes! Recebi a notícia que havia sido contemplada com a bolsa no começo de junho e desde então a ansiedade só aumentava. Eu ficava imaginando como seria o lugar, a cidade, a universidade, os alunos e professores, as atividades que iríamos ter, entre outras coisas. As expectativas foram supridas, todos os detalhes da viagem foram melhores do que eu imaginava, a cidade é encantadora, as construções parecem cenário de filme, a universidade bem estruturada e os professores amáveis e atenciosos.

Onde você estudou e como foi a adaptação na universidade?

Estudei na Universidade de Salamanca (USAL). A adaptação foi tranquila, pois tanto o curso quanto à universidade eram próximos do que estávamos acostumados no Brasil. O processo de aprendizado na sala de aula é bastante similar, o professor explana os assuntos enquanto os alunos vão interagindo durante a aula.  Além das aulas de espanhol, tínhamos uma terceira aula com opção de livre escolha, eu optei por “Espanhol dos Negócios”, foram aulas muito enriquecedoras pois a classe era mista com alunos de diversos países, logo, aprendi não apenas termos da minha área em outro idioma, mas também pude conhecer como é a função de Administração na Espanha e em outros países, o que complementou minha formação acadêmica.

Como foi a adaptação com o idioma? Encontrou alguma dificuldade em relação a isso ou alguma outra?

Assim que chegamos em Salamanca, sentimos certa dificuldade com o idioma pois os espanhóis falavam muito rápido e no começo foi mais difícil de compreender, porém em poucos dias fomos nos familiarizando com a sonoridade da língua e foi ficando cada vez mais fácil compreender o que os professores falavam, as explicações dos guias turísticos, conversa com outros alunos e até mesmo comerciantes da cidade.  Na segunda semana de intercâmbio, percebemos que podíamos compreender o que os espanhóis falavam, porém, em muitas vezes eles não nos compreendiam, foi quando percebemos que precisávamos praticar mais a fala, porque mesmo o espanhol sendo próximo do português não é tão simples manter um diálogo quando se está no país estrangeiro, porém com o tempo a adaptação ao idioma vai ficando mais natural.

Como essa experiência te amadureceu ou transformou de alguma forma?

Amadureci no âmbito profissional, pois um intercâmbio agrega muito ao currículo, principalmente no caso de recém-formados, que podem não possuir muita experiência na área de atuação, mas ter uma vivência internacional sem dúvida propicia uma bagagem valiosa para o crescimento profissional. Ao ser contemplada com essa bolsa, por mérito, não por sorte, enriquece ainda mais a experiência que vivi e me garante que todo esforço e dedicação valem a pena. Observei também que voltei com uma visão mais ampla do meu curso, da universidade, da minha profissão, das pessoas próximas e do mundo como um todo, notei que existem muitas coisas além do que temos ao nosso redor simplesmente, percebi o quão pequena eu sou e o quanto ainda preciso aprender e descobrir, tanto no aspecto pessoal quanto profissional.

Foto tirada na última noite em Salamanca, Espanha.

Foto tirada na última noite em Salamanca, Espanha.

Sentiu diferença entre os estudantes de outros países?

Conhecemos estudantes de outros países, como Alemanha, China, Áustria, França, etc.  Não percebi diferença entre os estudantes, mas foi possível notar que os chineses são muito dedicados e cobram muito de si mesmos para alcançarem os objetivos.

Como foi o encontro com o diretor do Santander e outros estudantes?

Recebi um convite para participar de um encontro com diretor do Santander Universidades no dia 16 de fevereiro desse ano. O evento ocorreu na Torre Santander, em São Paulo, e promoveu um encontro com bolsistas dos programas de mobilidade internacional, estagiários e executivos do Banco Santander.  Tivemos um bate-papo muito agradável no qual aproveitamos para compartilhar experiências vivenciadas no exterior, trocar conhecimentos e explorar a importância do intercâmbio para os universitários.

Quão importante você considera uma experiência internacional?

Uma experiência internacional é muito enriquecedora para qualquer pessoa, não apenas universitários ou profissionais, mas seria interessante se todos tivessem a oportunidade de conhecer outro país. A bagagem de conhecimento e experiências proporcionadas por um intercâmbio são imensuráveis, viver algo novo, conhecer lugares e culturas diferentes nos torna, não apenas profissionais melhores, mas pessoas melhores. Eu fiquei lisonjeada com a experiência que me proporcionaram, não tenho palavras para expressar a emoção que tive ao receber a bolsa para esse intercâmbio, somente quem participa de um programa como esse pode entender o sentimento de alegria, orgulho e gratidão que nos envolve durante e após a vivência no exterior.

Encontro com Vilassante: evento na Torre Santander, com os diretores Global e local do Santander Universidades e bolsistas dos programas de mobilidade internacional.

Encontro com Vilassante: evento na Torre Santander, com os diretores Global e local do Santander Universidades e bolsistas dos programas de mobilidade internacional.

07 Aug

Alunos de Engenharia da FEI embarcam em agosto pelo Ciência Sem Fronteiras

Um programa de mobilidade estudantil que deseja promover a formação internacional de estudantes brasileiros em áreas de tecnologia e inovação, este é o Ciência sem Fronteiras. Três estudantes aguardando com ansiedade o dia de embarcar nessa, que talvez seja, a maior aventura de suas vidas, esses são Paola, Uendel e Felipe, alunos de engenharia da FEI com destinos diferentes e um objetivo em comum: viver uma ótima experiência internacional.

Uendel Andrade embarca em 14 de agosto para Nashville, USA.

Uendel Andrade embarca em 14 de agosto para Nashville, USA.

O sonho de fazer um intercâmbio faz parte da vida de muitos jovens. Para Felipe Mendes, estudante de Engenharia de Automação e Controle, esse pensamento começou a tomar forma quando ainda era criança e nesse mês de agosto, o sonho se tornará realidade. “Quando apareceu a oportunidade do programa Ciência sem Fronteiras eu sabia que era a minha chance. Tudo correu a meu favor e aqui estou de passagem comprada para o outro lado do mundo. ”, conta Felipe que embarca no dia 17 de agosto para Melbourne, na Austrália.

O período fora do país muda a vida dos estudantes que vão, mas também dos familiares e amigos que aqui ficam. Aluna do oitavo ciclo de Engenharia Civil, Paola Ricioli conta que o apoio da família foi fundamental para que conseguisse a bolsa de estudos, “Eu pensava em fazer intercâmbio desde o começo do curso, mas acabei desanimando da ideia. Quando cheguei no quinto ciclo minha família e meus amigos me incentivaram a melhorar meu inglês e me candidatar. Eles acreditaram em um potencial que eu nem sabia que tinha. ”. A Paola embarca para South Dakota, EUA, na próxima segunda-feira e espera que a experiência lhe permita participar de pesquisas e também desenvolver seu inglês.

A seleção de alunos é feita com base em critérios como o desempenho acadêmico, nota do ENEM, nível de proficiência no idioma estrangeiro. Leonardo Elídio de Souza, aluno de Engenharia de Produção da FEI, embarcou para Kalamazoo, no Michigan – EUA no final de junho e descreve sua experiência até o momento: “Apesar de eu estar estudando em uma universidade americana, me sinto muito bem preparado para acompanhar o ritmo daqui, porque sei que a FEI me preparou para esse desafio. ”.

"Estou há um mês aqui e estou vivendo o melhor momento da minha vida", Leonardo Egídio está estudando na Western Michigan University.

“Estou há um mês aqui e estou vivendo o melhor momento da minha vida”, Leonardo Egídio está estudando na Western Michigan University.

Ao todo, desde o início do programa em 2012, o Centro Universitário da FEI já teve 302 alunos em quinze países, sendo 54 apenas esse ano. O aluno de Engenharia Civil, Uendel Andrade conta que o suporte da área de Relações Internacionais da FEI é de suma importância para os alunos, “Considero o trabalho da equipe de RI indispensável e bastante acolhedor, eles esclarecem cada pergunta e fazem com que nos sintamos seguros e confiantes com o que vem pela frente. ”. Perguntado sobre como acha que será sua experiência, Uendel é taxativo: “It’s gonna be awesome! ”. Que assim seja. O Centro Universitário da FEI deseja uma boa viagem a todos os bolsistas desse semestre.

18 Mar

Aluno de Engenharia Civil retorna ao Brasil e fala sobre o intercâmbio nos Estados Unidos

Estudante do 7º ciclo de Engenharia Civil, Romário Nogueira retoma os estudos no Centro Universitário da FEI após um ano e quatro meses em West Virginia, EUA, pelo programa Ciência sem Fronteiras. O aluno conta como foi sua experiência como estudante internacional na Marshall University, as dificuldades enfrentadas durante o intercâmbio e compara a atitude dos alunos nos dois países.

 

O que é o programa Ciência sem Fronteiras?

O Programa Ciência sem Fronteiras é um programa do Governo Federal, relativamente novo, que oferece bolsas de estudo internacionais com tudo pago. A universidade seleciona os alunos através de mérito acadêmico como suas notas, suas atividades, se você faz iniciação cientifica, etc. Não é uma bolsa por classe social, é por mérito.

Como foi sua preparação para o intercâmbio?

A princípio eu me inscrevi para estudar em Portugal, uma vez que eu não falava inglês. Mas depois que meu processo foi aprovado as bolsas para Portugal foram canceladas e, por ter acontecido esse rompimento na minha chamada, o Governo pagaria um curso de inglês por dois semestres para aprender inglês antes de ingressar na universidade americana. Se eu já soubesse falar inglês na época, eu teria escolhido outro país, poderia ter ido para a França ou para a Alemanha, países que têm uma tradição maior em engenharia. Foram dois meses entre ser aprovado e sair do país.

Quais dificuldades você teve com o idioma?

Todas. As universidades lá são extremamente organizadas, mas eu acho que estava em uma maré de azar então esqueceram de me buscar no aeroporto. É até engraçado, mas cheguei no aeroporto, sentei e fiquei esperando por duas horas alguém chamar meu nome e ninguém chamou. Tentei me comunicar com um homem para pedir ajuda, mas não entendi nada do que ele falou e ele também não entendeu nada do que eu falei. Pensei, “Meu Deus, o que eu vou fazer?”, então mandei mensagem para o meu irmão no Brasil e pedi para ele entrar em contato com as pessoas da universidade que eu tinha os nomes. Meia hora depois uma pessoa que falava espanhol foi me buscar e nós conseguimos nos comunicar um pouco, foi a minha sorte.

Romário Nogueira em frente à Marshall University em março de 2014.

Romário Nogueira em frente à Marshall University em março de 2014.

Sentiu dificuldade em sala de aula por conta do idioma?

O meu inglês evoluiu muito durante o curso de idioma, mas quando entrei na universidade, por incrível que pareça, praticamente parei de falar inglês. Existiam professores que compreendiam que alguns termos técnicos os alunos estrangeiros não entendiam, mas outros fingiam que nós não existíamos na sala, faziam perguntas só para os alunos americanos, davam exemplo ou contavam histórias que não entendíamos o contexto. Eu estava esperando por esse tipo de barreira, esperava que seria ainda pior, mas quando essa dificuldade surgiu durante as aulas os brasileiros se uniram e passaram a estudar juntos. Um faz um exercício, o amigo faz o outro, dividíamos os capítulos que tínhamos que ler e nos ajudávamos.

Como foi a adaptação para fazer amizades sendo que você não falava a língua?

A minha sorte foi que eu tive bons amigos lá, mas como eu conheci eles? Primeiro que me senti privilegiado por estar em uma cidade pequena, porque eu era novidade então as pessoas eram muito simpáticas comigo. Eu tinha um amigo de Belém do Pará que saía muito comigo então nossa rede de contatos aumentou muito. Conheci pessoas na igreja e na fraternidade e quando você conhece alguém de fraternidade, todo mundo vira seu amigo, te respeita, você entra em qualquer lugar e todos te cumprimentam.

Você sentiu alguma barreira por ser estrangeiro?

Eles eram muito abertos a estrangeiros. Eu acho que eu não encontrei bloqueio para conversar com ninguém, às vezes sinto mais bloqueio em conversar com pessoas aqui no Brasil que se acham superiores, do que lá. Eu fui para os Estados Unidos esperando uma coisa e foi outra completamente diferente, foi melhor.

O que foi mais difícil de se adaptar, além do idioma?

Além do idioma, acho que a comida foi a parte mais complicada para mim. Comíamos no restaurante do campus universitário mas o cardápio era muito diferente, bastante comida oleosa, feijão doce, realmente não sei como eles comem aquilo.

O que o intercâmbio te acrescentou?

Além do meu ganho profissional em dizer que eu estudei numa universidade americana, o ganho pessoal foi muito grande. Eu conversei com outros amigos meus que participaram do programa e todos concordaram comigo, é um amadurecimento diferente, um sentimento diferente. Não existem mais desafios para você. Hoje eu já não tenho medo de ficar sozinho, porque você sabe que você não é de vidro, que você vai se virar, vai correr atrás. Acho que esse foi o maior ganho, eu fui uma pessoa e voltei outra completamente diferente.

 Romario 2

Se pudesse, você ficaria por mais tempo?

Mesmo se pudesse ficar, eu não continuaria. Nunca tive o sonho americano. O mais triste é deixar seus amigos lá e ver eles sofrendo pela sua partida. O que mais dói é dar tchau para as pessoas que você sabe que talvez nunca mais irá ver. Tem um amigo meu com o qual eu me identifiquei muito, ele era da Coréia do Sul que foi embora antes de mim e eu fiquei muito triste de me despedir dele porque eu sabia que não ia vê-lo de novo.

Existe alguma experiência que tenha te marcado ao longo desse tempo fora do Brasil?

Acho que uma conversa com um amigo meu do Iraque. Quando você vê na televisão as pessoas morrendo no Oriente Médio você tem um sentimento de que é algo distante da sua realidade. Esse meu amigo me falou das dificuldades que eles tinham, como foi a infância dele, como foi crescer em meio à guerra, como foi perder gente próxima. Isso mexeu comigo porque até então o pensamento que você tem é “Ah, é o Oriente Médio, as pessoas de lá se matam desde sempre” e tudo muda quando você conhece alguém de lá e vê que ele é igual você, pensa igual a você, tem a cultura dele, mas não é alguém alienado. Ele me contou que um dia acordou e olhou para a casa do seu melhor amigo e estava toda cheia de tiros, e só por isso ele já sabia que todos tinham sido mortos: a mãe, o pai, o melhor amigo dele e a irmãzinha de três meses. Aí te bate a curiosidade, “Por que você está aqui nos Estados Unidos? Você não tem raiva de americano?”. E ele me respondeu que Deus sabe o que faz. Até então você acha que tem fé, mas depois que escuta isso de uma pessoa como ele, você avalia se sua fé seria tão grande assim caso tivesse visto tudo o que ele viu na vida.

Você se sente privilegiado por ter vivido essa experiência?

Muito. A universidade fechava no período de férias e eu aproveitava esse tempo para pegar o carro e viajar, conhecer outros lugares. Uma vez, aluguei um carro e estava dirigindo para Indianapolis, meus amigos dormindo no carro e eu me peguei pensando que muita gente gostaria de estar no meu lugar. As pessoas estudam e trabalham um ano todo para ter quinze dias de férias fazendo exatamente aquilo que eu estava fazendo. Ali eu me senti sortudo.

Sente falta de alguma coisa dos Estados Unidos?

Educação hoje me incomoda, na verdade a falta dela. É raro você ver um americano que passe por você e não fale com licença ou bom dia e aqui as pessoas com mais orientação, parecem ser as menos educadas.

Qual a diferença entre as universidades de lá e aqui?

O aluno de engenharia durante jogo de futebol americano do time da universidade.

O estudante durante o jogo do time de futebol americano da universidade

Acho que a maior diferença não é na universidade em si, mas no pensamento dos alunos. Não digo todos, mas a maioria dos alunos está aqui para se formar, não para aprender. Se lá você for para a aula para passar de semestre apenas, você vai ser só mais um, talvez você nem venha a trabalhar na sua área como engenheiro, vai trabalhar com outras coisas, aceitar o que vier. As construtoras vão escolher os melhores da sala e eles sabem disso. O nível de conteúdo do curso da FEI é o mesmo de lá, mas aqui os alunos ficam felizes porque tiraram uma nota 6, lá o aluno que tirou 8.5 vai discutir com o professor porque não merece aquela nota. Se você não consegue uma nota boa na média geral, você talvez não consiga fazer uma pós-graduação porque não será aceito. Para mim, uma aula enriquecedora é quando você está ali absorvendo a experiência de um professor que trabalha na área há mais de 30 anos. Temos um professor aqui na FEI que trabalha com barragens, você coloca o nome dele no Google e ele está ali posando com o ministro e em vez de ouvir o que ele tem a dizer, o aluno interrompe para perguntar se aquilo cai na prova. Essa diferença para mim é triste.

Como foi o retorno para a FEI?

O meu foco lá era cursar matérias diferentes que eu não teria aqui, fiz francês que eu sempre tive vontade de aprender então quando eu voltei minha grade ficou meio bagunçada. Eu poderia fazer dois semestres ao mesmo tempo, de manhã e à tarde, mas optei por continuar no mesmo semestre em que eu tinha parado para não sacrificar um período que eu poderia estagiar.

Se pudesse aconselhar outros alunos sobre fazer um intercâmbio, o que você diria?

Eu sugiro que todos que puderem, vivam essa experiência. Acho que o mais legal é a noção que você ganha do seu país. Quando eu cheguei lá nós éramos em vinte e cinco brasileiros e só eu era de São Paulo. O pessoal aqui de São Paulo acha que o Brasil gira em torno da gente e não é. Quando você vai pra fora, não interessa da onde você veio, você não é paulista, você é brasileiro e isso te faz mais humilde e te enriquece muito como pessoa. Sem dúvida, é uma experiência incrível.

Você faz algum balanço do programa Ciência sem Fronteiras?

Falando especificadamente de engenharia, sabe-se que engenheiros não são aptos à mobilidade. Por exemplo, engenheiros paulistas se formam e querem ficar ali na sua região enquanto o Brasil sofre muito porque não tem disponibilidade de pessoas se deslocando para outros estados que precisam desses profissionais. Eu pude provar e sentir que o programa vai trazer uma geração de pessoas mais flexíveis quanto à mobilidade, mais aptas a mudar de estado e trabalhar em qualquer lugar do Brasil. Volta a questão do desafio, você vê que nada é tão assustador assim e que mudar não dói, sua perspectiva muda. Você vai encontrar pessoas iguais a você em qualquer lugar.

 Romario 4

04 Jul

Notícias da França

Além do Programa Ciência sem Fronteiras, que já enviou mais de 130 alunos para realizar intercâmbio estudantil em países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Alemanha, o Centro Universitário da FEI também possui convênios com instituições internacionais para dupla diplomação, como o ICAM – Institut Catholique D´Arts et Métiers – França, onde seis alunos de Engenharia de Produção da FEI estão estudando desde junho de 2013, por meio do Programa CAPES-BRAFITEC.

Recentemente, o professor João Chang Junior, do Departamento de Engenharia de Produção da FEI e coordenador do programa de dupla diplomação com a França esteve em Lille para visitar os alunos Rodrigo del Monaco de Maria, Larissa Moreira Carneiro Rezeck, Marília Buchhorn Cintra Damião, Ahmad Amame, Gabriel Cesar Prédivi e Mariana Forte de Souza, para saber como os alunos estão evoluindo.

A visita foi acompanhada pelo professor Xavier Lefranc (coordenador do programa no ICAM) e o Pe. Olivier Barreau (diretor geral de estudos do ICAM) que apresentaram o campus ao professor Chang, que também visitou a Academia Internacional da Université Lille Nord de France – PRES. A Sra. Florence Bouvet, diretora da instituição e responsável pelo curso intensivo de francês que todos os intercambistas da região norte da França realizam elogiou muito os alunos da FEI, pelo rápido aprendizado da língua ao ponto de ser possível o acompanhamento das aulas nos cursos do ICAM. “Ela nos forneceu uma planilha com as notas e o desempenho de todos os intercambistas, ressaltando que a maior nota foi de uma aluna da FEI, a Marília Buchhorn Cintra Damião (72,5 pontos em 100 pontos), isso nos orgulha muito”, comentou o professor Chang.

Firmado em setembro de 2012, o convênio com o ICAM possibilita a realização de intercâmbios com seis meses ou um ano de duração, além da dupla diplomação, que regulariza o exercício da profissão tanto na Europa como no Brasil.

Conversamos com o aluno Rafael Trentin, que também faz parte do grupo de alunos que estão na França para saber mais como tem sido a experiência no país, tanto acadêmica como pessoal. Confira:

O intercâmbio

“Está sendo bem interessante até o momento (8 meses completados no final de fevereiro), e acredito que só tem a melhorar. Eu amadureci muito com relação a algumas posturas que eu tinha, acho que em uma experiência como esta você precisa, acima de tudo, procurar conhecer gente nova, trocar ideias e querer interagir. Aqui o seu senso de independência desenvolve exponencialmente, mesmo eu que sempre tive uma certa liberdade dada pelos meus pais, no começo foi um choque de experiência pessoal gigante. Fora que eu estou aprendendo de fato uma língua nova. Algumas vezes ainda é complicado entender as gírias mas, de maneira geral, dá pra sobreviver.”

Os estudos

“As matérias das aulas não são semanalmente fixas, igual na FEI. Toda semana muda, mas você acostuma. No primeiro semestre eu estudei matérias mais gerais, um pouco de elétrica, materiais, mas agora estou estudando coisas mais específicas de Produção, como gerência da cadeia de suprimentos, logística… O segundo semestre está bem mais interessante e mais proveitoso. O grande problema mesmo é só o idioma francês. Existem algumas palavras que às vezes queremos dizer e não sabemos, mas os alunos que saem da FEI pra fazer intercâmbio chegam bem preparados aqui e como temos o hábito de estudar muito, acabamos transferindo boa parte desse esforço para o aprendizado do idioma, pois temos muitas apresentações de projetos. Ah, e tem uma tarde na semana que não tem aula, é um tempo pessoal que eles deixam para organização escolar. Aqui também não se pode chegar um minuto atrasado; teve o caso de um estrangeiro que chegou um minuto e meio atrasado e a porta estava trancada.”

Amizades

“Os colegas de classe franceses são bem fechados para amizade, se fosse na FEI eu iria querer saber tudo sobre a cultura e iria ficar perguntando. Por sinal, a grande parte dos nossos amigos franceses que fizemos estão aí na FEI agora.”

Sobrevivência

“Estou ficando em um alojamento estudantil que é super tranquilo, a maioria dos estrangeiros são bacanas. Com o tempo fui aprendendo a cozinhar, pois eu saí do Brasil com quase zero de conhecimento em cozinha, mas aqui ou eu me virava ou passava fome. Dei sorte porque a mãe de uma amiga nossa da FEI que estava aqui de férias por umas semanas me salvou de um iminente desastre! Eu aprendi a cozinhar o básico com ela, depois fui usando a criatividade para não comer a mesma coisa sempre… O primeiro mês é o mais complicado na fase de adaptação no exterior, depois você acaba se acostumando, mas com toda a certeza é impossível voltar a mesma pessoa. Aqui mesmo já dá pra sentir que as coisas mudaram, por exemplo, o valor que se dá, principalmente à família e ao skype! O senso de proatividade e resiliência ficam em um patamar diferente.”

Motivos e expectativas

“Eu vim para a França porque eu queria ampliar meus horizontes, não só pessoal, mas profissional também. Conhecer as universidades e os métodos de ensino, assim como uma empresa e sua cultura organizacional. Acho que será um diferencial para ampliar minha visão profissional, ajudando a complementar o meu perfil e tornar mais próximo do que eu quero para mim.”

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Matéria publicada no jornal Circuito FEI – Nº15 (pág 10)

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